Saiba nesse artigo os perigos de usar qualquer aplicativo de banco destinado ao Windows e o motivo disso, além de mostrar o grau de irresponsabilidade e crimes no que diz respeito a privacidade por parte desses apps.
Introdução sobre a privacidade na Internet
Hoje em dia, a privacidade é algo valioso e raro de ser obtido no mundo digital, que porventura, grandes big-techs como a Google e a META (dona do Facebook, Instagram, WhatsApp e o Threads) querem e precisam lucrar com seus dados pessoais e a espionagem 24h para 'lançar' publicidade na tela do seu celular, com base nos seus interesses e gerar receita em cima disso e tudo isso acontece no seu smartphone - que é o mesmo que você utiliza para ler esse artigo.
O lucro dessas empresas que, além de assinaturas de seus serviços e produtos (especialmente do mercado corporativo), vem da vigilância constante que eles realizam para te empurrarem anúncios baseados no que você pesquisa ou até mesmo fala. Exemplo real é quando você fala que quer um café de uma marca X e como o sistema do Android não impede que o monitoramento do que você fala (mesmo que muitos sugiram desativar a telemetria), o Google por sua vez, reconhece que você quer o café daquela marca e exibe para você, a publicidade relacionada ao que você tinha falado e tem interesse naquilo.
Um detalhe é que nos dias atuais, é praticamente impossível você ter privacidade no seu celular e com o avanço das redes sociais, isso fica muito mais escancarado, uma vez que a população quer e precisa mostrar um padrão de vida ou de beleza, ficar por dentro das novidades e fofocas dos famosos e principalmente postar seu cotidiano, as custas da sua privacidade que você quis perder ao aceitar os termos de uso e da política de privacidade quando você clicar em Eu aceito.
Infelizmente, muitos acham que os computadores são os principais espiões e isso é totalmente o contrário do mundo real, pois diferentemente da Google e da META, a Microsoft lucra diretamente com o mercado corporativo com a venda do Windows, Microsoft 365, Windows 365 (SO baseado na nuvem), Azure, Xbox, etc., e ela não precisa de seus dados para melhorar o sistema operacional, pois isso é irrelevante aos desenvolvedores e ao contrário do Android, onde não é possível ter acesso a todos os componentes instalados, isso é possível no Windows por reconhecer uma enorme gama de periféricos e o acesso total ao hardware do computador, podendo fazer ali inúmeras alterações que você tiver vontade, algo que no Android é praticamente impossível. Com relação a telemetria, no caso do Windows, ela envia apenas o básico do sistema operacional, sem enviar qualquer kilobyte de seus dados, da mesma maneira que seria irrelevante uma empresa de automóveis saber das suas músicas favoritas e sua localização em tempo real para melhorar o desempenho do carro, pois isso seria inútil a montadora e a empresa, que lucra exclusivamente na venda de automóveis e não dos seus dados e da sua localização.
Mas focando em outro assunto que é mais importante e é o foco do artigo, conforme o título do mesmo, temos algo mais grave (e pior) do que a espionagem via smartphone, que é justamente as aplicações bancárias destinadas para o Windows. Nem mesmo a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) que entrou em vigor em 2019 foi capaz de impedir que essa coleta (absurda) de dados aconteça e como já sabemos, isso infringe totalmente a LGPD.
No próximo tópico, vamos explorar o real funcionamento desses aplicativos de banco, e vamos usar o Guardião 30h da Itaú como exemplo e mostrar a sua política de privacidade (abusiva), disfarçada de um sistema de segurança, principalmente para contas jurídicas (PJ).
Analisando o aplicativo Itaú (Guardião 30h) para o Windows
Esse plug-in bancário é obrigatório para acessar a conta Itaú pelo computador, que também segundo ela, ele pode atuar como uma "blindagem contra programas maliciosos" e é ativado toda vez que você acessa o Itaú na Internet.
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| Página oficial do plug-in do Itaú |
Suas diretrizes de segurança são completamente a nível de espionagem. O aplicativo foi desenvolvido pela TOPAZ, que é uma empresa brasileira que trabalha com T.I e que é responsável pela sua solução OFD (Online Fraud Detection ou Detecção de Fraudes Online) para o Itaú.
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| Início da EULA e introdução ao sistema de segurança OFD da TOPAZ |
Ao ler a cláusula 5 da EULA, podemos perceber que ele atua mais como um spyware do que como uma "solução de segurança", apesar dele coletar dados comuns (que são sensíveis, como nome, CPF, data de nascimento, etc.) do usuário da conta bancária, conforme o item 2, o item 3 descreve como esse maldito plug-in atua no seu computador. Para se ter ideia, ele pode coletar informações do hardware utilizado, programas instalados no Windows, MacOS ou Linux, extensões de navegador, sistema operacional, e até mesmo o seu histórico de navegação!
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| Termos de uso mostram o grau de abusividade do plug-in bancário do Itaú |
Esse plug-in atua mais como um agente de espionagem do que com segurança, pois é indispensável para uma solução de segurança (e ao Itaú), o histórico de navegação do usuário e os programas instalados do cliente, pois quem é responsável pela segurança do computador é especialmente o usuário e não a instituição financeira e essa "coleta" de dados nem devia acontecer. Aliás, o usuário responsável por uma conta em banco deve saber o básico de segurança digital para evitar qualquer prejuízo grave de sua conta, tanto para smartphone quanto no computador - isso sem depender de qualquer solução de segurança criado por bancos.
Ainda na cláusula, a 5.7, a TOPAZ pode compartilhar TODOS OS SEUS DADOS para terceiros, em especial o grupo econômico ligada ao banco Itaú.
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| A TOPAZ pode compartilhar os dados do usuário para o grupo econômico do Itaú e para terceiros (quem são esses "terceiros"?) |
Isso é ainda mais grave, pois caso a TOPAZ e/ou a Itaú sofram alguma invasão em seus servidores e houver vazamento de dados, quem será o mais prejudicado nisso será o CLIENTE, pois os criminosos podem vender esses dados roubados no mercado negro e obscuro na Internet e lucrando com essa prática ilegal e criminosa, sem contar que esses dados vazados podem ser usados de modo ilícito para abrir empresas em seu nome (sem seu conhecimento), abrir contas em outros bancos, usá-los em tentativa de golpe e fraudes, além de usar os dados em seu nome para compra de casa, carro, apartamento, etc., criando uma dívida que não é sua, dando ainda mais prejuízo ao usuário do Itaú (e outras empresas, principalmente).
Sobre o vazamento de dados, a LGPD prevê que as empresas são responsáveis pelo vazamento de dados (independentemente de quem seja o culpado), e de acordo com a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), o órgão pode aplicar multas administrativas às empresas que descumprem as disposições da LGPD, sendo que as multas podem variar de 2% a 10% do faturamento global da empresa, com um limite máximo de R$ 50 milhões, além da empresa ressarcir o usuário vítima desse vazamento ou todos os usuários que forem vítimas do vazamento de dados.
Não é à toa que esses plug-ins sempre usam muito recurso de hardware do computador sem nenhuma necessidade, mesmo que você não venha a acessar sua conta bancária em seu navegador, justamente para praticar essa espionagem sem necessidade que serve para "proteger" o cliente.
Dicas em relação aos aplicativos bancários
1. Sempre que for requisitado o uso desses aplicativos, use uma VM (máquina virtual) somente para instalar o aplicativo bancário e usá-lo somente para acessar sua conta bancária. Isso é muito mais vantajoso, pois o consumo de hardware será feito apenas nesse ambiente será virtual e você não precisa mais se preocupar com o que esse plug-in possa coletar de dados, pois o ambiente será único apenas as atividades envolvendo sua conta bancária. Uma excelente opção é o Windows Sandbox, que supre facilmente essa necessidade e abordo-o em um artigo sobre ele e como você pode ativar para usá-lo.
2. Se você pretende desinstalar esse plug-in, lamento informar, mas a remoção deles é extremamente dificultosa, pois essas tranqueiras usam táticas de malware para ficarem resididas ao sistema operacional. Mas há uma solução eficaz: se você for usuário comum, técnico de informática ou profissional de T.I, e quiser desinstalar uma dessas porcarias, inicie o Windows em modo de segurança e desinstale-os pelo Painel de Controle > Programas e Recursos ou em Configurações > Aplicativos.
Agora que você sabe mais sobre os plug-ins bancários, não deixe de compartilhar com mais pessoas sobre isso, pois você e outros usuários podem ganhar mais conhecimento sobre segurança digital :)




