Tudo sobre software chinês

Aprenda nesse artigo porque você não devemos usar em hipótese alguma qualquer programa ou aplicativo de origem chinesa e abordo em detalhes sobre a Lei de Inteligência Nacional do país que permite o monitoramento constante de seus cidadãos chineses por parte do governo comunista em apoio forçado com as empresas de T.I locais - e contém mais de 170 links de artigos com informações reais no que diz respeito ao escopo deste artigo, sendo que tudo que é debatido aqui são baseados em FATOS e não opiniões.



Antecedentes da Lei de Inteligência da Nacional da China de 2017

Antes de abordar sobre esta lei, é importante abordarmos alguns pontos que antecedem a lei que foi aplicada em 2017. Antes dessa lei for aprovada, havia leis que permitiam a espionagem e censura que segundo o regime comunista chinês, elas serviriam para proteger a soberania do país e contra qualquer informação danosa que descredibilizasse o regime chinês. São elas:

• Lei de Contraespionagem (2014): criada e promulgada em Novembro de 2014, a lei entrou em vigor rapidamente e criou um arcabouço legal específico para combater a espionagem de todos os tipos e origens. As autoridades de segurança estadual passaram a ter total poder de investigar, deter, interrogar e prender e confiscar os bens do cidadão que esteja vinculado a atividades consideradas "danosas aos interesses nacionais". Apesar da lei ser focada contra a espionagem, ela também foi usada para perseguir jornalistas e advogados de direitos humanos sob a acusação de "distorcer os fatos" ou "ameaçar a segurança estatal".

• Lei de Segurança Nacional (2015): aprovada em Julho de 2015, a lei amplia o conceito de segurança nacional que inclui finanças, o exército chinês, ideologia, religião, cibersegurança, meio ambiente e outras áreas consideradas críticas aos olhos do governo chinês. A lei estabelece a liderança unificada do Partido Comunista Chinês (PCC) sobre todos os assuntos de segurança, criando comissões centrais e locais para coordenar políticas e ações. Vários casos de prisão ou intimidação (ou perseguição) à ativistas e acadêmicos foram "justificados" com base nessa lei, antes mesmo da entrada da Lei de Inteligência Nacional.

• Lei de Contraterrorismo (2015-2016): promulgada em 2015 e entrando em vigor um mês depois, em janeiro de 2016, a lei visa em prevenir e punir atos considerados terroristas, mas foi muito controversa por ter suas exigências de cooperação de provedores de Internet e empresas de tecnologia, ou seja, para proteger o país contra qualquer ato terrorista, o regime comunista obriga que provedores compartilhem chaves de criptografia, registros e usuários e outros dados com autoridades de segurança quando isso for solicitado. Embora a lei se foque no "terrorismo", a lei acabou por reforçar a frente de vigilância interna e justificar prisões de minorias étnicas, principalmente na região de Xinjiang. A nova legislação também impõe inúmeras restrições à forma como a mídia poderá noticiar informações sobre ataques terroristas e permite aos militares chineses de participarem de operações de antiterrorismo no exterior. Até então, a China não dispunha de uma legislação específica para a luta contra o terrorismo.

• Lei de Organizações Não Governamentais (ONGs) Estrangeiras (2016-2017): aprovada em Abril de 2016 e entrando em vigor apenas em Janeiro de 2017, a lei regula o registro, supervisão e financiamento de ONGs estrangeiras na China. A lei exige que ONGs façam uma "parceria" com uma agência estatal como sua "patrocinadora", submeta relatórios anuais de atividades e finanças e permita inspeções policiais sem nenhum aviso prévio. As autoridades chinesas ganharam o poder de suspender atividades e deportar representantes com bases em critérios vagos como "ameaçar a segurança nacional" ou "fomentar separatismo". Demandas de censura e restrição ao trabalho de ONGs que apoiavam direitos humanos ilustram como essa lei serviu de instrumento de perseguição a vozes críticas ao governo.

• Lei de Segurança Cibernética (2016-2017): aprovada em novembro de 2016 e implementada em Junho de 2017, a lei estabelece requisitos de localização de dados, classificação de infraestruturas críticas de informação e cadastro com nome real (ou real-name) e falando em real-name, ela consolidou a prática de identificação obrigatória de internautas, contribuindo para a vigilância e censura de comentários online. O artigo 24 estabelece que "as operadoras de rede devem exigir que os usuários forneçam informações reais de identidade ao assinar acordos com usuários ou confirmar a prestação de serviços de acesso à rede, serviços de registro de nomes de domínio e procedimentos de entrada na rede para telefones fixos e móveis, ou fornecer serviços de disseminação de informações e mensagens instantâneas para os usuários". Se os utilizadores não fornecerem informações reais sobre a identidade, o operador da rede não lhes prestará os serviços pertinentes. 

Antes dessa lei entrar em vigor, elas já empunhavam controles severos sobre a circulação de informação digital, estruturando uma base técnica para monitoramento em massa. Esse conjunto dessas cinco leis formaram um sistema interligado de controle social, vigilância e repressão, cobrindo aspectos legais, administrativos e técnicos muito antes da Lei de Inteligência Nacional de 2017. Praticamente, todas as leis já serviam para censurar e perseguir quem fosse contra o regime e suas verdades, além de ter seus dados coletados para espionagem interna do regime comunista da China, criando um ambiente no qual as liberdades civis estavam amplamente subordinadas aos interesses de segurança do Partido Comunista da China. 

Mas antes de irmos abordar sobre essa lei, é preciso entender em detalhes sobre o projeto chamado O Escudo de Ouro, mas conhecido mundialmente como o "grande firewall da China".


O Escudo de Ouro - a grande parede chinesa que ofusca os websites mundiais

O grande firewall criado na China é que sustém a Lei de Cibersegurança (que é a Lei de Segurança Cibernética), que foi criada em 1998 e sua primeira fase foi concluída em 2006 com o objetivo de bloquear sites estrangeiros, como o Google, YouTube, Facebook, Instagram, X (antigo Twitter) e até a Wikipédia, incluindo também principais sites de notícias. Desde então cresceu em complexidade e escopo, restringindo o acesso à Internet para dentro e fora da China continental e a apenas três pontos de acesso altamente monitorados no país, que são Beijing, Xangai e Guangzhou.

A criação do Escudo de Ouro foi feita com o objetivo de bloquear o acesso dos cidadãos chineses à Internet 'não censurada' por meio de medidas técnicas de censura, onde os censores não se preocupam em controlar a dissidência (ou a discordância) interna. O Partido Comunista controla a Internet doméstica da China usando um exército de policiais cibernéticos para monitorar ativamente os canais domésticos de redes sociais.

A existência se deve a uma fala bastante "plausível" do líder supremo da república popular da China, Deng Xiaoping:

"Se você abrir a janela para ar fresco, tem que esperar que algumas moscas entrem"

Isso significa que o objetivo é controlar o fluxo de informações para dentro e para fora do país, que criou basicamente uma Internet sobre dentro dela própria, mas que também serviu para criação de seus próprios serviços de Internet que tem um grande mercado da web, com cerca de 700 milhões de usuários. Isso permitiu que alternativas domésticas aos serviços internacionais de Internet, que são inoperantes em outros lugares, mas que prosperassem no continente chinês. É bom notar que o partido comunista mantém controle rígido sobre esses serviços e que dá aval ao regime comunista fazer o monitoramento e o controle de tudo o que faz, incluindo sobre política.

Lamentavelmente, até os meios de burlar o paredão também são bloqueados na China, isso vale em especial a todos os serviços de VPN. O grande firewall, até antes de Março de 2026, se limitava apenas a China continental, sem afetar suas outras províncias como Hong Kong e Macau - esses pertencentes a RAE, mas em Hong Kong, com a lei aprovada em 2020 e reforçada em 2026 (os quais comento mais abaixo) coloca em risco a liberdade dos cidadãos referente a censura. 

Mas em Abril de 2026, essa exceção dos países da RAE com relação ao uso de VPN e proxies com o objetivo de burlar a censura da China foi revogada e a proibição de VPN vale também para Hong Kong, Macau e Taiwan (embora na realidade ela não faça parte da RAE, mas a China a considera como uma dessas "regiões").


O funcionamento do grande firewall

Embora a China não divulgue a topologia de funcionamento do Escudo, mas de acordo com fontes não oficiais e incluindo fontes internos daquele país, há hipóteses de como ele funciona na prática e um fato curioso antes de falar sobre ele é que o paredão é composto por dispositivos de hardware da Cisco, Huawei e Semptian. A ilustração a seguir resume sobre cada etapa do Escudo de Ouro:


Embora o grande firewall seja grandemente sofisticado, ela não é totalmente falível. Na verdade, sua implementação é bastante inconsistente dentro da China. Isso significa que sites bloqueados em uma província podem ser acessíveis em uma outra - e sites teoricamente desordenados (que perturbem a ordem social da China) às vezes podem ser acessados livremente em algumas regiões, enquanto sites inocentes, sem material ofensivo ou politicamente sensível [aos olhos do regime], são banidos "inocentemente".


A lei de Inteligência Nacional e a censura e monitoramento perpétuo pelo regime chinês

A Lei de Inteligência Nacional da China, que foi aprovada em 7 de Novembro de 2016 e entrando em vigor apenas no dia 1 de Junho de 2017, impõe a proibição do anonimato e veta conteúdos que visam em derrubar o sistema socialista do país, com o objetivo, segundo o governo de "proteger a segurança nacional".

Os artigos, blogs, fóruns e comentários nas redes sociais que tiverem alguma mensagem que viole as leis do regime comunista também podem ser censurados ou simplesmente apagados, ao mesmo tempo, a nova lei proíbe os internautas de publicarem conteúdos que atentem contra a honra nacional, perturbem a ordem econômica ou social ou que estejam destinados a derrubar o sistema socialista. As empresas de tecnologia e provedoras de Internet também devem colaborar com as autoridades (e o regime) terão a obrigação legal de oferecer "suporte técnico e ajuda" às autoridades no caso de investigações criminais. 

A China já bloqueia ou censura conteúdos na Internet, mas as restrições foram reforçadas em setembro de 2013, no âmbito de uma campanha contra os que "propagam rumores on-line", durante a qual centenas de jornalistas e blogueiros foram detidos.

Desde que as medidas foram adotadas, internautas chineses podem pegar até três anos de prisão por enviar mensagens consideradas difamatórias que tenham sido compartilhadas mais de 500 vezes ou visualizadas mais de 5 mil vezes. Em várias ocasiões, as autoridades chinesas utilizaram comentários publicados na Internet para condenar dissidentes.

Os legisladores também aprovaram em Março de 2017 a Lei de Censura Cinematográfica onde o governo proíbe conteúdos considerados "prejudiciais" à dignidade, à honra e aos interesses do país. Com essa lei em vigor, estão proibidos os filmes capazes de alentar a oposição às leis ou à Constituição, que prejudiquem a unidade, a soberania e a integridade nacionais ou que revelem segredos de Estado ou prejudiquem a segurança da China, sua dignidade, sua honra ou seus interesses. O texto também rejeita os filmes que "caluniem as excelentes tradições culturais populares" e aqueles que resultem prejudiciais para a unidade étnica.

Resumindo o tópico, a lei permite que o governo comunista da China tenha acesso aos dados de qualquer empresa de T.I, mesmo sendo estrangeira, tudo isso sem pedir nenhum pedido judicial para obter os dados e sem nenhuma notificação ao usuário. Para ter noção disso, enquanto na Europa temos a GDPR (que é basicamente, a LGPD europeia) onde as empresas priorizam e informam sobre o tratamento dos dados, na China, a regulamentação local favorece, além da espionagem, a vigilância dos dados tratados ali, de seus cidadãos e também de usuários de fora do país, que usam qualquer programa desenvolvido na China.

Infelizmente, muitas escolas públicas e universidades brasileiras sequer abordam esse tema, pelo fato [minha opinião] disso ser considerado muito dispensável e inútil aos professores (muitos com ideologias medíocres de esquerda) e também para os alunos, já que muitos jovens e adolescentes sequer sabem do regime imposto pelo governo chinês - e não é à toa que esses mesmos adoram entrar em trends virais do TikTok ou qualquer outra tranqueira eletrônica de origem chinesa, por achar isso uma diversão, mas mascarada por trás de um verdadeiro sistema de vigilância. Passou da hora do meu artigo ser replicado, transmitido e explicado em todos os ambientes educacionais e universitários, mesmo que os professores e alunos discordem de alguns pontos [ou fatos] apresentados neste artigo. O meu artigo [e eu] não está aqui para agradar a todos (e a você), mas apenas mostrar uma visão real por trás do monitoramento aplicado pelo regime comunista e como isso afeta a todos os internautas e usuários que buscam privacidade de seus dados.

Se você acha que tudo o que está escrito neste artigo é exagero, falácia ou clickbait e que os chineses acham isso excelente para eles, sugiro você ler a uma matéria da CNN onde um ex-morador da China que trabalhou para o alto-escalão do governo chinês como funcionário do governo e abandonou o país para sair do regime de censura e espionagem feito pelos comunistas de lá, e entrevistado ao veículo de notícias, ele detalha sobre o sistema de vigilância imposta pelo governo e muitos outros pontos importantes.

Falando em vigilância, em Abril de 2026, uma influenciadora digital da rede social chinesa Weibo teve seu perfil removido pelo regime após o governo comunista detectar que em uma de suas publicações, ela cita que: "se tivesse marido e filhos, estaria ainda mais sobrecarregada enquanto estava doente" (que de fato ela estava enquanto produzia o vídeo). A medida do regime faz parte de uma campanha estatal denominada 'Claro e Limpo', criada com o intuito de remover conteúdos considerados [pelo governo chinês] como "prejudiciais" ao ambiente online, ou seja, para você entender de maneira mais transparente, a China ampliou a censura contra as postagens que estejam relacionados a casamento, maternidade ou paternidade nas redes sociais - e mais recentemente, no final de Abril, o governo intensificou a perseguição aos católicos "clandestinos", obrigando-os a seguir a igreja estatal da China.

Não é só sobre assuntos domésticos e família que o regime aplicou a sua política de censura, sendo que críticos ao regime comunista e a militância LGBT são repreendidos pelo governo da China e para se ter ideia, de acordo com a Administração do Ciberespaço da China (CAC), em 2022, o órgão afirmou já ter excluído 20 bilhões de conteúdos em 1,4 bilhão de perfis das redes sociais.

Até mesmo quem esbanja luxo e ostentação nas redes sociais, recentemente, o governo chinês reforçou a censura contra esses conteúdos, visando em reduzir o consumo excessivo e o alto custo, limitando os seus cidadãos de consumirem tais conteúdos e talvez, o objetivo dessa lei seja para diminuir a desigualdade [algo que o Brasil vê como "exemplo"].

Um fato curioso é que alguns relatos indicam que há estruturas chinesas em países da América Latina, mas de acordo com a China, ela afirma que essas estruturas se tratas de centros comunitários voluntários para serviços administrativos. Segundo algumas ONGs, como a Safeguard Defenders, eles operam como postos policiais informais, gerando investigações e pressão diplomática - isso significa que eles estão espalhados por toda a América Latina, sendo que muitas dessas delegacias operam clandestinamente em comércios de fachada, como restaurantes ou lavanderias, e nelas, muitos funcionários do governo chinês escondem equipamentos de espionagem e até armas, com o intuito de perseguir qualquer cidadão chinês que afronte o governo comunista ou que faça algo fora da lei [da China].


A Lei de Segurança Nacional de 2020 e o reforço para censurar seus cidadãos

No dia 30 de Junho de 2020, a China decretou a Lei de Segurança Nacional para Hong Kong (país esse que pertencia a colônia britânica até 1997 e que atualmente faz parte da RAE - Região Administrativa da China) e criminaliza tudo considerado secessão (que é se separar da China), subversão (que é aquele que tenta denegrir o poder ou autoridade do governo central), terrorismo e conspiração com forças estrangeiras ou externas. Esses quatro crimes principais são puníveis com pena máxima de prisão perpétua.

Além disso, a lei permite que alguns casos podem ser levados para serem julgados na China Continental, e os julgamentos podem ser realizados a portas fechadas (talvez sem a presença de advogados ou a própria imprensa), pessoas suspeitas de violar a lei podem ser grampeadas e colocadas sob vigilância total pelo regime comunista, além da lei ser aplicada mesmo aqueles que não residirem em Hong Kong.

O resultado depois da promulgação dessa nova lei em 2020 é que vários manifestantes, ativistas e ex-parlamentares da oposição foram presos. Em Julho de 2023, as autoridades de Hong Kong revelaram que cerca de 260 pessoas foram presas e 79 delas foram acusadasNo maior caso de segurança nacional até hoje, um grupo conhecido como Hong Kong 47 foi julgado por "subversão", por seu envolvimento na organização de uma primária eleitoral não oficial para o conselho legislativo.

A lei também inferir diretamente aos veículos de notícias pró-democracia de Hong Kong, resultando em fechamentos, como o Apple Daily de Lai, conhecido por ser crítico da liderança chinesa continental.

Em 2026, o principal diplomata chinês, Cui Jianchun, convocou a cônsul-geral dos EUA, Julie Eadeh, para protestar sobre as novas regras de segurança em Hong Kong, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China. Logo após, Pequim pediu que Washington parasse de interferir nos assuntos de Hong Kong e nos assuntos internos da China.

Depois desse ocorrido, Hong Kong reforçou no mês de Março as regras de aplicação do regime de segurança nacional, tornando crime em casos de segurança nacional, a recusa em fornecer senhas ou outra assistência de descriptografia para acessar qualquer dispositivo eletrônico. Isso significa que a partir dessa mudança, em casos ligados à segurança nacional, quem se recusar o fornecimento de senhas ou ajuda para descriptografar dispositivos eletrônicos, estará cometendo crime. As mudanças valem para todas as pessoas, mas afetando diretamente empresas de tecnologia, provedores de serviços digitais, plataformas de comunicação, fabricantes de dispositivos e qualquer entidade que armazene ou proteja dados criptografados. As novas mudanças ampliam o poder das autoridades chinesas para acessar celulares, notebooks e outros dispositivos.

A criminalização em se recusar a ceder dados ao governo chinês valem para os executivos locais, responsáveis por compliance, engenheiros com acesso a sistemas e representantes legais da empresa em Hong Kong e isso pode criar um ambiente de alto risco na área jurídica para empresas que manterem em Hong Kong.

Em resposta às mudanças nas regras, o Consulado Geral dos EUA em Hong Kong emitiu um alerta de segurança em 26 de março, solicitando que cidadãos norte-americanos entrassem em contato com o Consulado caso fossem presos ou detidos em decorrência das novas regras.


Violação de privacidade na China e a espionagem em alta-escala

De acordo com um artigo da CNN publicado em Outubro de 2013, a China tem cerca de dois milhões de pessoas policiando a opinião pública online. Essas pessoas são apelidadas de "analistas de opinião pública" e trabalham para o departamento de propaganda do Partido Comunista Chinês, os principais sites de notícias chineses e corporações comerciais. 

Usando pesquisas de palavras-chave, seu trabalho é filtrar os milhões de mensagens postadas em mídias sociais populares e sites de microblog como o Sina Weibo, considerado o equivalente chinês ao Twitter. Eles então compilam relatórios para os tomadores de decisão, disse o relatório.

O efetivo de censores online (na época) era de 2 milhões e supera o contingente das forças armadas ativas da China, que é era de 1,5 milhões, conforme dados do Ministério da Defesa Nacional. A expansão desse aparato acelerou-se após o lançamento do Sina Weibo em 2010, que hoje acumula cerca de 500 milhões de usuários.

Esse software de monitoramento, avaliado em 3 milhões de yuans (aproximadamente US$ 490 000), rastreia automaticamente o alcance e a intensidade de temas pré-definidos. O software também rastreia a amplitude com que um tópico está sendo discutido, contando o número de comentários e compartilhamentos. Quando a pontuação atingir 40 em 100, o sistema enviará um alerta para decisão de ação pelos clientes governamentais e uma decisão final sobre qual ação tomar é decidida pelos clientes, que incluem funcionários do governo.

Em Março de 2015, os governos dos EUA e da China entraram em conflito público sobre uma proposta de lei antiterrorismo chinesa. A proposta do governo chinês obrigaria empresas de tecnologia que queiram operar na China a incluir backdoors em seus softwares e compartilhar chaves de criptografia com Pequim, capital da China.

O presidente da época, Barack Obama declarou que a China não deveria ter permissão para "bisbilhotar" usuários de empresas americanas e alertou que, se o plano continuasse adiante, empresas como a Microsoft, Cisco e IBM poderiam repensar seus investimentos na China.

Por outro lado, o governo chinês afirma que a legislação é uma questão interna, voltada ao "combate" ao terrorismo e vazamentos de informação. Na afirmação, o governo citou supostos casos de espionagem ocidental para justificar tais medidas de proteção de dados estatais. Veja a nota dada pelo porta-voz Hua Chunying, do Ministério das Relações Exteriores da China.

[...] Sobre a questão da segurança da informação, houve uma revelação [recente] da mídia de que um determinado país incorporou software de espionagem no sistema de computador do fabricante do cartão SIM de outro país, para atividades de vigilância. Este é apenas um dos casos divulgados recentemente.

"Todos os países estão prestando muita atenção a isso e tomando medidas para salvaguardar sua própria segurança da informação, um ato que está além de qualquer censura."

O caso a que ela se referia envolvia alegações de que espiões cibernéticos dos EUA haviam hackeado um fabricante holandês de cartões SIM para ajudar a descriptografar as comunicações de seus alvos. Lembrou que os EUA e o Reino Unido também buscam poderes de vigilância cibernética, acusando-os de hipocrisia.

O conteúdo da proposta da lei que instalasse backdoors prevê que todas as empresas, nacionais ou estrangeiras, garantam "acesso seguro" ao governo chinês, sem distinção de origem e isso incluía prazos e sanções para quem se recusar a implementar backdoors ou entregar chaves de criptografia.

Todos esses fatos que ocorreram e de que o regime aprovou e promulgou leis para acabar com a privacidade de seus usuários foi necessário para o governo chinês, pois eles NUNCA se preocuparam com a privacidade de seus cidadãos e até onde se sabe, isso também pode se aplicar a pessoas do exterior (fora da China).

A seguir, confira alguns exemplos de envio de dados a servidores chineses para empresas ou ao próprio governo de lá.


China usa I.A para ampliar/reforçar a espionagem contra a população

De acordo com o documento da ASPI (Instituto Australiano de Política Estratégica), ela descreve como as ferramentas de I.A do governo chinês são usadas para "automatizar a censura, aprimorar a vigilância e suprimir preventivamente a dissidência" e que se tornaram mais sofisticadas nos últimos dois anos - esses em que houve a primeira onda no uso da Inteligência Artificial.

"A China está utilizando I.A para tornar seus sistemas de controle existentes muito mais eficientes e intrusivos. A I.A permite que o Partido Comunista Chinês (PCC) monitore mais pessoas, mais de perto e com menos esforço", disse Nathan Attrill, co-autor do relatório e analista sênior da China no ASPI.

"Na prática, a I.A tornou-se a espinha dorsal de uma forma muito mais abrangente e preditiva de controle autoritário", completa.

Os autores acrescentaram que as implicações desse uso da tecnologia são amplas e profundas, permitindo ao governo chinês um controle ainda maior sobre o policiamento de sua população e a gestão do fluxo de informações, além de fortalecer seu poder no exterior como exportador global de tecnologia de vigilância.

Pequim investiu centenas de bilhões de dólares em negócios relacionados à I.A, fazendo grandes avanços em pesquisa e desenvolvimento, apesar dos esforços dos EUA para restringir o fornecimento de chips de I.A de alta potência para a China - contudo, em Dezembro de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, aprovou a autorização da empresa para vender seus chips de I.A H200 na China, que dias depois, a China 'rejeitou' os chips de I.A da NVIDIA, demonstrando que o país quer ser independente de tecnologia estrangeira, com incentivo do governo local a produção própria de hardware.

O público também abraçou a tecnologia: uma pesquisa de 2024 do grupo de pesquisa global Ipsos constatou que os entrevistados chineses estavam muito mais entusiasmados e otimistas em relação à I.A do que a população de outros 32 países.

Até mesmo o líder chinês, Xi Jinping, destacou a importância da Inteligência Artificial ​​na política de internet em evolução do país. Em uma reunião em novembro com altos funcionários do Partido Comunista, ele enfatizou que a I.A "apresenta desafios à governança do ciberespaço, ao mesmo tempo que oferece novas vias de apoio", de acordo com a mídia estatal chinesa.

E isso é ainda mais preocupante, uma vez que boa parte as ferramentas de Inteligência Artificial de origem chinesa são usadas mundialmente por milhares de usuários e que a corrida da I.A dos EUA contra a China esteja tecnicamente empatada mostre o poder da China de dominar o mercado e aplicando suas legislações de censura. Por fim, quem se preocupa com privacidade, é certamente um grande risco, sem contar que boa parte de patentes tecnológicas são dominadas pela China em 74%, passando dos EUA que tem apenas 12% e a União europeia que tem irrisoriamente 3% de toda a representatividade mundial em registros de patentes.

Isso levando em consideração que a China também rouba tecnologia de seu adversário, os EUA, como aconteceu em 23 de Abril deste ano, onde o governo acusou o país asiático de ter conduzido roubo em escala industrial de tecnologia em I.A desenvolvida em laboratórios americanos, usando técnicas avançadas para burlar proteções e exfiltrar toda informação proprietária. A acusação foi divulgada poucas semanas antes da visita de Donald Trump a Xi Jinping em Pequim.


China amplia o controle para "supervisionar" operações de empresas chinesas no exterior

Em 1 de Junho de 2026, o Conselho de Estado publicou uma norma que dá o poder de órgãos reguladores chineses de "espiar" operações no exterior, onde inclui investidores chineses, e áreas envolvendo tecnologia, dados e assuntos relacionados à segurança nacional do país asiático. A nova lei que vale a partir do dia 1 de Julho, foi decretada após Pequim cancelar a aquisição da startup de Inteligência Artificial Manus pela META.

A partir das novas diretrizes, passa a ser exigida autorização prévia para exportar bens, tecnologias, serviços e dados chineses que estejam sob restrições governamentais, para ampliar o controle estatal sobre setores considerados estratégicos. Esse movimento da China se alinha à política chinesa que visa proteger tecnologias consideradas críticas, além de evitar vazamento de informações extremamente valiosas e manter maior supervisão sobre as empresas e profissionais competentes que atuem globalmente.

Recentemente, a China elaborou uma lista de 63 setores tecnológicos estratégicos que podem ser alvo de controles de exportação no futuro, refletindo a intensificação da competição tecnológica global - especialmente com os EUA. Essa lista foi criada por cientistas e pesquisadores chineses, que inclui tecnologias consideradas sensíveis ou com alta vantagem competitiva. A medida surge após restrições dos EUA à exportação de chips avançados e equipamentos de fabricação de semicondutores para a China. Até o presente momento desse artigo, nenhum anúncio oficial de novas restrições foi feito pelo governo chinês.


Pentágono cria lista de empresas chinesas ligadas ao exército chinês

Em Junho de 2026, o Pentágono criou uma lista chamada 1260H onde o órgão adicionou 188 empresas chinesas, sendo elas a Alibaba, Baidu e BYD, além de outras como a WuXi AppTec (empresa do ramo farmacêutico), Unitree (robótica), RoboSense (considerada especializada na fabricação de sensores LiDAR para carros inteligentes), Nio (setor automotivo), CALB Group e EVE Energy (fabricantes de baterias) e a CXMT e YMTC (ligadas ao ramo de semicondutores). A lista tem como por objetivo identificar companhias e empresas consideradas ligadas às Forças Armadas da China.

A alegação dos EUA é de que essas empresas colaboram com as forças militares de Pequim, sendo que a Alibaba e a Baidu teriam ligações à Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais da China e ao Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação. Já a BYD estaria envolvida em áreas relacionadas à estratégia chinesa de integração civil-militar. 

Apesar da lista, ela não gerará sanções automáticas, mas impedirá contratos diretos como Departamento de Defesa americano. Ainda de acordo com o Departamento, a partir de 2027, ela prevê que as restrições podem ser ampliadas a aquisições indiretas.


Envio de dados pessoais feito por smartphones chineses (Blu e Xiaomi)

Entre 2016 e 2017, pesquisadores da Black Hat descobriram que alguns smartphones estavam enviando anonimamente para servidores lá da China. Na pesquisa feita com smartphones da marca Blu, descobriram que havia um software espião embutido que enviava secretamente dados pessoais de usuários da marca. Porém, Shanghai Adups Technology diz isso de um "erro". Segundo uma porta voz da Adups, disse que os problemas foram "resolvidos" em 2016 e que eles "não existemais". A Blu diz contestar que o aplicativo fosse um spyware e diz: "tem várias políticas em vigor que levam a privacidade e a segurança do cliente a sério". Ela finaliza ainda dizendo que não houve nenhuma violação de privacidade por parte dela.

Em Abril de 2020, o site Forbes revelou que o Xiaomi Redmi Note 8 estaria roubando dados através de um backdoor, de acordo com Gabi Cirlig, pesquisador em cibersegurança. Ele afirma que o dispositivo "assiste a tudo" o que ele faz na tela do smartphone, registrando todos os hábitos que ele fazia neste dispositivo, sendo que os dados coletados incluíam desde o histórico de navegação (até em modo anônimo), consultas em sites de pesquisa como o Google e o DuckDuckGo (que é focado em privacidade), itens visualizados no feed de notícias, passando pelas pastas abertas (acessadas no caso), telas acessadas (incluindo a barra de status e a página de configurações), gestos no sistema e até mesmo o número de telefone. Essas informações eram enviadas para servidores em Cingapura e Rússia, registrados em Pequim, capital da China. Os dados eram enviados para domínios ligados à Sensors Analytics, empresa chinesa especializada em análise de comportamento do usuário e serviços profissionais de consultoria. Embora a Xiaomi confirmasse essa parceria, ela disse que os dados ficavam armazenados em seus próprios servidores.

Durante a pesquisa, Cirlig descobriu que os navegadores Mi Browser Pro e o Mint Browser (ambos da Xiaomi) enviavam dados mesmo se o usuário acessasse pela guia anônima, afetando milhares de usuários. Detalhe interessante é que ambos os navegadores tinham mais de 15 milhões de downloads na Play Store, além de afirmarem que o comportamento da Xiaomi era mais invasivo do que os navegadores Google Chrome e Safari da Apple. A coleta de dados incluía URLs completas e hábitos de navegação, tudo isso sem consentimento claro do usuário. 

A empresa negou todos os fatos (irregularidades) apresentados e disse que as alegações eram falsas, além de dizer que os usuários tinham consentimento com a coleta feita no smartphone e seus navegadores. Mesmo assim, provas destacadas pela pesquisa mostraram que o navegador enviava dados mesmo no modo de navegação anônima. Cirlig encontrou o mesmo código de navegador em outros modelos da marca, sendo o Mi 10, Redmi K20 e o Mi MIX 3, sugerindo que o problema é muito mais abrangente e generalizado, especialmente em outros modelos da marca além dos que foram testados por ele.

No meio da pesquisa, descobriu-se que a criptografia da Xiaomi se mostrava muito frágil onde ela podia ser facilmente decodificável, usando a base64. Apesar da Xiaomi dizer que os dados estavam sendo criptografados quando transferidos em uma tentativa de "proteger a privacidade do usuário", Cirlig levou apenas alguns segundos para transformar os dados distorcidos em pedaços legíveis. Os metadados enviados incluíam identificadores únicos do dispositivo, o que poderia "cruzar" dados pessoais e os usuários reais dos aparelhos celulares.

Se você acha que toda essa coleta se restringia apenas aos hábitos e dados do usuário, até mesmo o aplicativo nativo de músicas da Xiaomi coletava informações, que vão desde as músicas reproduzidas até o horário em que o usuário as ouviaE como disse o pesquisador de uma maneira irônica: "quando você está ouvindo [a música], a Xiaomi também está ouvindo".

Depois de toda essa repercussão negativa da pesquisa de Cirlig, a empresa publicou em seu blog sobre a coleta de URLs e prometeu em sua próxima atualização de seu navegador em que permite desativar o envio de dados no modo anônimo.

Estes casos são exemplos reais de espionagem feito por celulares fabricados na China, entretanto, isso tudo também pode acontecer em outros modelos de celulares chineses (estes famosos no Brasil) como a Huawei, Oppo/Vivo, IQOO, Realme, Redmi, REDMAGIC, INFINIX (fabricada pela Positivo em território nacional), Honor, OnePlus, etc.

Se você tem interesse em saber mais sobre a privacidade em smartphones chineses, sugiro você ler um artigo da Universidade de Edinburgh, onde a equipe da escola de informática da universidade realizou testes em três modelos de smartphones conhecidos da China e em uma análise no firmware de cada dispositivo, é notável o tráfego de dados que é muito mais massivo em smartphones vindos da China do que os outros, oriundos de outras regiões, como feito na pesquisa, a Europa. Você pode acessar essa pesquisa nesse link, onde você pode também ler a forma em que a pesquisa foi feita e um mapa mental detalhando o que é enviado de dados em cada smartphone.


Televisores vendidos na China coletam dados do usuário

Em 2021, um usuário em um fórum técnico chinês fez uma descoberta inacreditável, onde a sua Smart TV da marca chinesa Skyworth (popular na China) estaria escaneando redes Wi‑Fi próximas e coletando dados de dispositivos conectados sem o conhecimento dos usuários. A descoberta veio de um usuário que investigou a lentidão da TV e encontrou processos suspeitos rodando em segundo plano.

Os processos em segundo plano estariam coletando dados em excesso, nos quais incluíam: nome do host, endereço MAC, IP, latência da rede e SSIDs de redes Wi-Fi próximas. Todos esses dados eram enviados para um domínio chamado gz-data.com, que pertence à empresa de publicidade Gozen data. Após a repercussão negativa do fato, a Skyworth encerrou a parceria com a Gozen e exigiu a exclusão dos dados coletados "ilegalmente".

Em Dezembro de 2025, um Procurador-Geral do Texas, EUA, abriu um processo contra Sony, Samsung e LG, além de empresas chinesas como a Hisense e a TCL, por vigilância não autorizada de consumidores por meio de smart TVs.

Os televisores usavam uma tecnologia conhecida como ACR (Automated Content Recognition), que faz capturas de tela do televisor a cada 2 segundos, onde ele monitorava praticamente tudo o que passava a tela e quais atividades que o usuário realizava o dispositivo, sendo: TV a cabo, streaming, transmissões terrestres (sinal digital e os canais), reprodutor de DVD, consoles de jogos e notebooks conectados via HDMI para espelhamento de tela.

"Empresas, especialmente aquelas ligadas ao Partido Comunista Chinês, não têm direito de gravar ilegalmente dispositivos americanos dentro de suas próprias casas", disse o procurador-geral Paxton.

 

"Essa conduta é invasiva, enganosa e ilegal. O direito fundamental à privacidade será protegido no Texas porque possuir uma televisão não significa entregar suas informações pessoais às grandes empresas de tecnologia ou a adversários estrangeiros."

As imagens e metadados são enviados aos servidores dos fabricantes, depois, os dados eram combinados com outros identificadores para criar perfis detalhados dos consumidores. Esses perfis são vendidos para publicidade direcionada aos interesses dos usuários. O procurador atentou que o envio de dados poderia incluir crenças políticas, religião, raça e gênero.

O procurador também dá ênfase as empresas chinesas (Hisense e TCL), onde o processo cita um risco adicional devido à Lei de Segurança Nacional da China, que pode obrigar empresas a entregar dados ao governo, mesmo aqueles que não residem na China.


Aspirador em pó envia dados "domésticos" para a China 

Em 2024, robôs aspiradores do modelo Deebot, da marca chinesa Ecovacs, foram flagrados coletando fotos, vídeos, mapas da casa e gravações de voz dentro das residências dos usuários. Esses dados são usados para treinar modelos de I.A da empresa e isso ocorre mesmo com falhas graves de segurança que permitem invasões a mais de 100 metros de distância.

O pesquisador de cibersegurança Dennis Giese conseguiu hackear o dispositivo remotamente e acessar a câmera do aparelho ao vivo e com relação as vulnerabilidades encontradas, estas levantam dúvidas sobre a capacidade da Ecovacs de proteger dados sensíveis e mesmo sem qualquer intenção maliciosa, a empresa pode ser (ou seja) alvo de espionagem corporativa ou estatal (no caso, o regime comunista da China).

Entretanto, os usuários que aderem ao Programa de Melhoria de Produto não são informados claramente sobre quais dados são coletados. Contudo, a sua política de privacidade permite que os robôs aspiradores façam mapas 2D/3D da casa, de onde ele está limpando, realizar registros em fotos ou vídeos através da câmera e realizar gravações de voz. Os dados deletados pelo app podem continuar armazenados e usados pela empresa

A Ecovacs afirma que os dados são "anonimizados", mas não detalhou o funcionamento do processo, mas apesar disso, a empresa confirmou que usa dados reais de usuários para treinar seus modelos. Engenheiros já haviam relatado a necessidade de grandes volumes de dados devido à "visão do solo" incomum dos robôs.

Se isso já não te assusta em ter um robô que faz serviços domésticos e não vê problemas com sua privacidade, você deve pensar duas vezes antes de comprar. Um exemplo claro disso aconteceu em 2020, onde imagens íntimas de uma mulher no banheiro foram capturadas por um robô da iRobot e vazado no Facebook, sendo que o vazamento ocorreu por meio de trabalhadores terceirizados da empresa de anotação Scale AI.


Câmeras de segurança chineses baratos vendidos no Brasil podem interceptar dados

Segundo o boletim do Departamento de segurança dos EUA publicado em Fevereiro de 2025, as câmeras wireless estariam dando lado ao governo chinês de realizar espionagem e perturbar a infraestrutura política americana. Ainda segundo o boletim, as câmeras não possuem criptografia de dados nem configurações de segurança e, por padrão, se comunicam com o fabricante. Acredita-se que haja dezenas de milhares de câmeras fabricadas na China nas redes de entidades críticas de infraestrutura dos EUA, inclusive nos setores químico e energético.

Para tentar de alguma forma a continuidade da comercialização dessas câmeras, a China recorreu a prática do white labeling, que é um modelo de fabricação onde uma empresa vende o produto sem nenhuma marca e a fabricante adiciona sua logomarca, como se ela de fato fosse a "dona" dos equipamentos, embora esses dispositivos sejam comercializados por outras empresas, lançando clones de suas "concorrentes".

Os hackers pagos pelo governo comunista da China têm aberto inúmeras vulnerabilidades desde 2020, concluí o boletim. Em um caso, em Março de 2024, câmeras fabricadas na China em uma empresa americana de petróleo e gás natural se comunicaram com servidores da China, "incluindo um possivelmente associado a um ator cibernético patrocinado pelo Estado da RPC", segundo o Programa de Inteligência Comercial de Ameaças Cibernéticas do Escritório do Diretor Nacional de Inteligência.

Na Índia, no dia 1 de Abril, o governo do país por meio do STQC (órgão equivalente a ANATEL) proibiu a venda e comercialização de câmeras de vigilância das marcas TP-Link, Hikvision e Dahua, embora essa medida não se limita apenas aos produtos chineses como os da marca citados a pouco. De acordo com um relatório do The Economic Times, citando executivos do setor, a medida faz parte de um esforço mais amplo do governo para endurecer os padrões de segurança para dispositivos conectados. As autoridades estariam se recusando a conceder certificação a produtos dessas empresas, assim como a quaisquer dispositivos que utilizem chipsets de origem chinesa. Sem a autorização do órgão regulador, tais produtos ficam efetivamente proibidos do mercado indiano. A proibição trará um golpe significativo para as marcas chinesas, que antes dominavam o setor no país e até 2025, as marcas chinesas representavam cerca de um terço de todas as vendas de câmeras de vigilância no país.

No continente africano, a China está se infiltrando para pôr em prática sua medida de espionagem contra o povo desse continente, onde eles comercializam câmeras de segurança de marcas chinesas, onde muitos usuários e órgãos públicos não tem noção básica sobre segurança digital. De acordo com Tony Roberts, pesquisador digital do instituto, e Wairagala Wakabi, diretora executiva da Colaboração para Política Internacional de TIC para a África Oriental e Austral em Uganda, que lideraram a equipe que publicou suas conclusões em 12 de Março, as suas pesquisas indicam que países africanos utilizaram sistemas de vigilância chineses principalmente para monitorar ativistas e sufocar a oposição política, em vez de reduzir a criminalidade. Roberts disse que a pesquisa de seu grupo revelou grandes preocupações éticas nesses 11 países: Argélia, Egito, Quênia, Maurício, Moçambique, Nigéria, Ruanda, Senegal, Uganda, Zâmbia e Zimbábue.

As compras típicas na África incluíram entre 2.000 e 5.000 câmeras inteligentes, segundo o relatório. A Inteligência Artificial permite que eles mirem e monitorem pessoas a partir de um centro de comando, onde enormes redes de dados centralizadas se fundem, algo que empresas chinesas de tecnologia como Huawei e ZTE chamam de "cérebro de cidade". Usando software de reconhecimento facial junto a Inteligência Artificial, eles podem cruzar instantaneamente imagens das câmeras com bancos de dados como registros de identidade, arquivos administrativos, carteiras de motorista e registros telefônicos. Especialistas alertam que esses 'sistemas nervosos digitais' podem monitorar, agregar e analisar constantemente a atividade dos cidadãos para prever, prevenir e punir comportamentos que as autoridades consideram "suspeitos". Os pesquisadores destacaram um belo exemplo na República do Congo, onde câmeras de vigilância se espalharam por espaços públicos de grande movimento em Brazzaville e Pointe-Noire e em meio ao aumento do monitoramento, os pesquisadores notaram várias prisões de figuras da oposição política, jornalistas e ativistas de direitos humanos.

Especialistas dizem que os sistemas chineses são particularmente atraentes para governos africanos que enfrentam déficits orçamentários. Bancos privados chineses fornecem o financiamento para construir e manter sua infraestrutura digital proprietária, disse o estudo do IDS.


Carros elétricos chineses enviam dados a servidores do governo chinês

Segundo o Quartz, durante a visita de uma fábrica de baterias para carros elétricos, a empresa informou que todas as montadoras de veículos são obrigadas a fornecer dados coletados dos veículos ao governo da China.

Uma investigação feita pelo AP News mostrou que cada veículo elétrico na estrada da China fornece até 61 pontos de dados no geral. Mas o governo chinês respondeu dizendo que usa os dados coletados para "melhorar a segurança pública", facilitar o desenvolvimento industrial (???) e prevenir fraudes em programas de subsídios. mais interessante nessa história é que nenhum país desenvolvido onde há veículos elétricos como EUA, Japão e Reino Unido coletam esses dados em tempo real. Caso um desses governos solicite que as montadoras compartilhassem esses dados a um desses governos, teriam que fornecer mediante ordem judicial.

Em 2026, o governo da Polônia restringiu o acesso de carros elétricos de origem chinesa em zonas militares, como medida de segurança, sendo aplicado tanto em áreas militares como em zonas adjacentes que possam albergar infraestruturas relevantes para o país, já que o risco de divulgação de informações confidenciais, incluindo a localização de infraestruturas estratégicas ou detalhes relacionados com operações militares é muito sensível e restrita, que pode comprometer com a segurança nacional.

O Reino Unido impôs uma lei similar em Julho de 2026, onde o governo britânico aplicou uma medida em que visa proibir o comércio de peças de veículos elétricos chineses devido a preocupações com possíveis espionagens vindas de Pequim.

Apesar disso, a população em geral pode usar os carros elétricos em vias sem nenhuma proibição, desde que não acessem determinadas áreas, limitadas em acesso por decreto do governo polaco.

No final de Fevereiro, o governo americano proibiu a venda e importação de carros que contenham microchips e aplicativos desenvolvidos e projetados pela cadeia tecnológica da China, sendo que essa determinação não se limita apenas as marcas chinesas, mas para toda e qualquer montadora de automóveis. A determinação começou a valer no dia 16 de Março de 2026, tendo exceções ao seu uso anterior a data limite e que não seja mantido ou atualizado por empresas chinesas e os carros vendidos antes da data continuaram a circular, sem nenhuma restrição.

A razão da qual a medida foi imposta pelos EUA é bastante rígida (e com boas razões), pois o mesmo teme riscos relacionados a coleta de dados (como eu explico em todos os tópicos deste artigo), localização de veículos, câmeras e sistemas conectados e aplicativos embarcados e serviços em nuvem. Por via de regra, as fabricantes terão de auditar toda a cadeia de suprimentos para se certificar que não há qualquer componente eletrônico ou software de origem chinesa, ou em outras palavras, a determinação incluí principalmente o hardware (chips, módulos de comunicação e telemetria) quanto o software (sistemas embarcados à nuvem, GPS, sistemas de entretenimento, ADAS (software de assistência avançada ao condutor), etc. 

A medida imposta pode afetar todas as montadoras, uma vez que elas usam tecnologia chinesa e isso pode aumentar a tensão entre EUA e China, e pressionar os fornecedores que dependam de cadeias globais. O governo americano defende essa medida como uma atitude eficaz do que as tarifas impostas pelo governo e que isso protegerá a infraestrutura digital e a privacidade de seus clientes e consumidores.

Em Junho, a Movestar, empresa chinesa que fabrica carros elétricos e que pertence a Geely está proibida de vender seus automóveis elétricos em território americano. A decisão da agência estadunidense se baseia na Regra de Veículos Conectados, que proíbe a venda de carros no país com software ou hardware da China ou da Rússia devido a preocupações de segurança nacional.

Falando em carros chineses, também em Fevereiro de 2026, a BYD (marca chinesa de veículos elétricos) tentou censurar uma matéria do AutoPapo após publicarem uma matéria, onde o jornalista e repórter Marcelo Ramos diziam que o vice-presidente da marca teria renegado a sua origem chinesa.

De acordo com um estudo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), indica que a maioria das decisões judiciais são favoráveis à liberdade de imprensa, porém, a posição na ação da BYD contra o AutoPapo reacende a discussão sobre os limites da crítica jornalística e o risco de que a judicialização se torne instrumento de intimidação.

O texto do AutoPapo que provocou o processo acusava a BYD de renegar sua origem chinesa. O motivo foi um comunicado emitido pela própria companhia. O comunicado traz a seguinte declaração de Alexandre Baldy: "As pessoas, às vezes por esquecimento, desatenção ou alguma intenção que não vem ao caso, incluem a BYD num grupo geral de 'as chinesas' que absolutamente não corresponde à verdade".

A reportagem apontou a declaração como infeliz e, até mesmo, preconceituosa, ao tentar criar valor para a empresa ao afastar a companhia de suas conterrâneas. O AutoPapo defendeu que a ação da BYD é uma tentativa de controlar o trabalho jornalístico. "A minha história é pautada pela defesa do consumidor. Matérias publicadas por mim já paralisaram vendas de carros novos e, mesmo assim, nunca sofri qualquer tentativa de censura e intimidação como essa", salienta Boris Feldman, jornalista, engenheiro e publisher do AutoPapo.

Em uma crítica a tentativa de censura por parte da montadora, o jornalista Felipe Boutros acusou a Justiça de tentar controlar o trabalho jornalístico e finaliza que [a tentativa de censura] é uma prática já adotada pela BYD na China. O próprio diretor de comunicação da montadora no Brasil, Pablo Toledo, compartilhou em seu perfil no Linkedin uma postagem no qual celebra a prática com entusiasmo e deixa claro que eles estão dispostos a utilizar os tribunais brasileiros para regular o que é conveniente que esteja nos meios de comunicação. 

"Não só apenas os jornalistas que estão na mira do departamento de RP da BYD: as próprias concorrentes e seus executivos são alvos de ataques por meio de redes sociais, que são repercutidos por influencers patrocinados por ela e meios de comunicação que querem apenas audiência “caça-clique”", finaliza.

Além dessa censura escancarada da BYD, a própria montadora foi acusada de manter seus trabalhadores em condições análogas à escravidão na fábrica da montadora na Bahia e, em Dezembro de 2025, a montadora foi obrigada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) a encerrar um processo de RS 40 milhões aos trabalhadores da BYD com multa, sendo pago R$ 90 mil a cada trabalhador resgatado. Mas nada isso impede da gigante chinesa de investir em nosso país, inclusive em linhas de metrô.

Se isso se expandir a cada ano que passar, o mercado automotivo tradicional pode entrar em ruínas e acabar com a concorrência das fabricantes de automóveis instaladas em território brasileiro.


Drones também enviam dados para a China

Em 2018, uma auditoria foi feita nos drones da DJI e descobriram que o aplicativo DJI Go enviava alguns dados para os servidores do Alibaba em Hong Kong. Nesse meio tempo, o exército americano baniu todos os drones da marca e mandou todos os drones para descarte.

Em Dezembro de 2025, a FCC dos EUA atualizou sua lista de dispositivos banidos com novos sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS) de fabricação estrangeira, além de seus componentes críticos. Na prática, a medida inclui drones de diversas marcas, entre elas a DJI. A decisão é baseada em uma determinação do Poder Executivo, que concluiu que esses dispositivos representariam "riscos inaceitáveis à segurança nacional dos Estados Unidos".


iCloud e a criptografia da nuvem sem privacidade na China

Em 2018, a Apple moveu todos os dados de usuários chineses do iCloud para uma estatal de telecomunicação da China, a China Telecom.

Essa migração levantou algumas questões em relação a proteção de dados do serviço, sendo que alguns cogitaram sobre o governo chinês ter acesso aos dados do serviço, e antes dessa migração, os dados do iCloud de usuários da China eram armazenados nos EUA. Até a Apple diz que foi obrigada a fazer essa medida para seguir as leis locais de lá.


Lenovo: notebooks vendidos na China incluem um backdoor pré-instalado

Em um evento realizado pela própria fabricante em 2018, a Lenovo Transform, ela anunciou uma parceria com a NetApp para desenvolver um novo produto voltado ao mercado chinês. Nisso, a matéria da The Inquirer suspeita que o governo chinês tenha exigido a instalação de backdoors em laptops chineses.

Em resposta ao repórter do portal, o Peter Hortensius, CTO da Lenovo, respondeu a perguntas diretas sobre o tema, inicialmente afirmando do fato da Lenovo ser uma empresa global, com operações e lideranças distribuídas internacionalmente. Ele continua dizendo que a empresa segue as leis e normas locais de cada país onde [a Lenovo] atua.

Mas quando questionado sobre a instalação de backdoors em notebooks da fabricante, caso o governo chinês obrigue-a a fazer isso, o Peter afirma que não fornece backdoors globalmente, mas reconheceu que toda multinacional na China cumpre as leis locais, sugerindo que, se a legislação exigir algum tipo de acesso, as empresas precisam obedecer. Ele também menciona que outros países além da China fazem pedidos semelhantes.

O artigo não faz acusações contra a Lenovo por práticas ilegais fora da China, mas pontua que qualquer dado que passe por servidores chineses pode estar sujeito a riscos devido às exigências governamentais locais. A Lenovo diz que tenta minimizar preocupações dizendo que seus servidores são distribuídos localmente, evitando envolvimento político.


Governo americano bane robôs e produtos de robótica do exterior (ou no caso, de origem chinesa)

Em 29 de Julho de 2026, o governo americano através do decreto de Donald Trump, presidente dos EUA, proibiu a compra de robôs e aparelhos de robótica avançados e de inversores de potência fabricados no exterior, sendo o principal alvo a China. FCC (Comissão Federal de Comunicações) informou que a decisão foi tomada pois a importação desses itens "representam riscos inaceitáveis ​​para a segurança nacional dos EUA ou para a segurança e proteção de pessoas dos EUA". Sobre a proibição dos inversores de potência, que são aparelhos que reduzem a tensão da energia elétrica da rede para permitir o uso em aparelhos comuns, os argumentos dados no comunicado são similares. A Casa Branca afirmou que esses aparelhos podem ser "desligados remotamente" por países estrangeiros e interromper o fornecimento de energia em instalações norte-americanas.


As empresas chinesas e a origem ocultada por elas

A imensa maioria das empresas de software da China simplesmente escondem o fato delas serem chinesas justamente para evitar que o usuário desconfie delas ou que elas fiquem com a imagem "queimada" em alguns países. Entre as empresas chinesas famosas são: 

- IOBit; 

- Wise;

- Baidu (DU Global para aplicações no Android);

- Qihoo (renomeada para 360 Mobile Security Limited);

ByteDance (dona do TikTok, também do seu sistema operacional HarmonyOS e do seu editor de vídeo CapCut);

Cheetah Mobile (CM);

- Wondershare;

- Kingsoft (dona do famoso aplicativo de escritório, o WPS Office);

Maxthon;

- Opera (foi vendida para um grupo de empresas chinesas incluindo a Qihoo);

EaseUS;

AOMEI;

UC (UC Browser);

- Xiaomi; 

- Huawei;


Se você usa qualquer um desses aplicativos ou produto de empresas chinesas, sugiro desinstalar IMEDIATAMENTE qualquer um deles para proteger sua privacidade (caso você se preocupa). Da mesma forma com os programas, se você tem algum aplicativo chinês com login feito nele, sugiro excluir a conta do serviço do aplicativo ou serviço chinês e desvincule sua conta do aplicativo.


Apps chineses na Play Store 

Quando você acessa a Play Store do seu celular, você verá milhares de aplicativos de origem desconhecidas com alguma funcionalidade interessante ou até inútil, já feita por apps nativos do próprio celular ou algum jogo, etc. Infelizmente, a Google não tem uma equipe de segurança competente que analisa ao menos o básico do aplicativo, ou seja, não monitora tecnicamente a arquitetura do aplicativo, se espiona ou coleta dados irregularmente, se tem algum malware escondido ou pré-embutido no código-fonte, etc.

Ex.: o UC Browser é um navegador chinês bastante famoso pelos riscos de violação de privacidade e nenhuma providência por parte do Google, embora tenha sido banido várias vezes na loja.

Destaque feito pelo Google Play Store sobre o navegador chinês UC Browser

A seguir, você vai ver as polêmicas e coisas graves envolvendo esse navegador chinês e de outros aplicativos chineses que tiveram controvérsias em relação a privacidade e coleta de dados.


FBI alerta aos usuários de Android e iOS sobre a instalação de aplicativos, em especial os de origem chinesa

No dia 31 de Março de 2026, a FBI divulgou uma PSA (Public Service Announcement ou Anúncio de Serviço Público) por meio do IC3 (Internet Crime Complaint Center ou Centro de Queixas de Crimes na Internet), alertando aos usuários de Android e iOS sobre os riscos de segurança de dados associados a aplicativos móveis desenvolvidos por empresas estrangeiras, destacando especificamente aqueles desenvolvidos na China. O FBI não forneceu uma lista de aplicativos chineses nem de desenvolvedores em outras localidades de alto risco e essa lista seria enorme caso quisessem citar, mas em vez disso, o bureau emitiu diretrizes para os cidadãos seguirem antes de instalar e ou não instalar os aplicativos.

Esse alerta remete diretamente à lei segurança nacional da China, que o FBI ressalta que os usuários de smartphones permitem que "o governo chinês potencialmente acesse os dados dos usuários de aplicativos móveis". Segundo o New York Post, o alerta pode se "aplicar a uma série de aplicativos amplamente utilizados desenvolvidos por empresas chinesas, incluindo a plataforma de edição de vídeo CapCut, aplicativos de compras como TEMU e SHEIN, e as plataformas de mídia social como Lemon8, onde das quais estão entre os aplicativos mais baixados nos Estados Unidos".


UC Browser e a privacidade em risco

O navegador tem inúmeras controvérsias envolvendo privacidade e segurança de dados. Em 2015, documentos da NSA vazados por Edward Snowden, mostraram que o UC Browser vazava dados confidenciais como MAC address, ID do Android, dados relacionados ao Wi-Fi e serviço de geolocalização, etc.

Após isso, a Citizen Lab fez testes com esse navegador e concluíram na análise que os vazamentos de informações na versão chinesa do aplicativo poderiam ser usados para rastrear a localização de pessoas em tempo real ou retroativamente. Além disso, a falha do aplicativo em excluir consultas DNS significa que terceiros que acessam o cache do aplicativo podem determinar quais sites um usuário visitou anteriormente. As versões chinesa e inglesa dos aplicativos apresentam péssimas práticas de segurança ao não criptografar consultas feitas a mecanismos de pesquisa baseados em chinês ou inglês. mais interessante desse teste é que eles conseguiram contornar a criptografia do navegador, fazendo com que a pesquisa acusasse a UCWeb de usar sistemas de criptografia não eficazes para transmissão de dados.

Em 2016, um ano depois do teste, a Alibaba Group disponibilizou versões "corrigidas" do navegador para eles. Porémoutro teste foi feito e o resultado não foi nem um pouco bom, pois a Citizen Lab descobriu que os vazamentos de dados foram pouco corrigidos nessa versão.

Emaio de 2019, analistas do Dr. Web descobriram que versões padrão e "mini" do UC Browser para Android baixavam e instalavamódulos 'extras' dos próprios servidores da Alibaba por meio de um canal HTTP desprotegido e inseguro. Também emaio de 2019, o pesquisador de segurança digital indiano, Arif Khan relatou que as barras de endereço de URL do navegador UC Browser (versão padrão e mini para Android) eram suscetíveis à falsificação de URL.

Apesar de eu citar esse navegador a pouco como exemplo, há centenas de milhares aplicativos de origem desconhecida na Play Store com problemas de privacidade e processamento de dados. Portanto, sempre pesquise sobre o desenvolvedor, quem é a empresa que criou o aplicativo e a origem dele.


Kwai e TikTok: apps de vídeos curtos que viciam e coletam dados

Ultimamente, desde o começo da década de 2020, os aplicativos de vídeos curtos começaram a se tornar populares mundialmente, impulsionado principalmente pela pandemia do coronavírus onde a população teve de ficar em quarentena durante um bom tempo, e eles se tornaram um ótimo passatempo para os usuários nesse período calamitoso.

Mas o que poucos sabiam (e sabem até hoje) é que esses aplicativos famosos, principalmente no Brasil que tem milhares de usuários, eram de origem chinesa e como o brasileiro gosta de entrar em qualquer trend viral, seja dentro ou fora desses apps, a maioria dos usuários que não são esclarecidos acabavam com sua privacidade assim que você instalava uma porcaria desses apps de vídeos instantâneos e aceitando os termos de uso (que muitos nem leem).

A começar pelo Kwai, as controvérsias envolvendo o aplicativo não são novas e acumula diversas polêmicas, como em junho de 2020, onde o governo da Índia baniu o Kwai e outros aplicativos chineses como a Shein e o TikTok por questão de segurança relacionada a privacidade e questões envolvendo dados.

Em 2021, a plataforma usou ilegalmente um vídeo de uma usuária colombiana do TikTok para fazer publicidade de sua própria plataforma de vídeos aqui no Brasil, sem o consentimento dela e muito menos autorização. Um detalhe curioso é que ela não possuía perfil no Kwai e o anúncio com vídeo dela era repetido a exaustão no YouTube em qualquer vídeo que o usuário abrisse. Depois da repercussão negativa, a plataforma se desculpou pelo ocorrido assim que soube do caso.

E mais recentemente em 2024, a plataforma também foi alvo de uma polêmica gravíssima, onde segundo o site Aos Fatos, o Kwai permitia conteúdos com menores de idade se sexualizando na plataforma, dando espaço amplo a pedófilos selvagens e escrotos a compartilharem material ilícito de menores de idade.

Mas saindo um pouco disso e focando ao que realmente interessa nesse artigo, em 2021, o autor Luis Agner Claro, do canal "CPU Não É Gabinete" no YouTube fez um vídeo mostrando em detalhes sobre a coleta de dados e o uso excessivo de banda de Internet para enviar dados a um servidor na China e o mais interessante é que o aplicativo sequer tinha sido executado. Você pode conferir mais detalhes no vídeo abaixo do autor:


Com relação ao TikTok, a plataforma também acumula controvérsias sobre seu aplicativo, e o mais destacado é nos EUA, onde o presidente Donald Trump assinou um decreto executivo onde baniria o aplicativo em 45 dias, caso a dona da plataforma, a ByteDance não o vendesse. Entre 2022 e 2023, a "poeira" abaixou sobre essa questão, apesar de deputados protocolarem projetos de lei pedindo o banimento do TikTok. Em 2020, a Índia baniu o TikTok, assim como outros aplicativos de origem chinesa por preocupações relacionadas a privacidade.

Já em junho de 2025, o presidente já reeleito dos EUA, Trump, adiou por mais de 90 dias para que a ByteDance venda o TikTok para alguma empresa não chinesa que permita a sua operação no território americano. Curiosamente, em agosto de 2025, a Casa Branca criou uma conta no TikTok mesmo com o provável banimento do aplicativo em solo americano. A criação foi feita pelo próprio Trump que usa o aplicativo, usando a conta de campanha à presidência que tem 15 milhões de seguidores.

Mas o que é pouco comentado é sobre o tráfego de dados que o TikTok envia massivamente uma quantidade alto de upload. O autor Luis Agner Claro, o mesmo que fez o vídeo sobre o Kwai que envia dados para servidores da China e que citei a pouco, fez dois vídeos interessantes sobre isso e sugiro assistir os dois vídeos para ter mais informações.



Em uma publicação feita pela BBC Technology, o artigo dá mais detalhes sobre a coleta de dados e o rastreamento por meio do app (para smartphones). Na pesquisa liderada por uma empresa de cibersegurança, a Disconnect, eles descobriram que cada atualização do pixel (que é uma ferramenta de rastreamento que as empresas usam para monitorar o comportamento online do usuário) do TikTok coletava informações de maneiras incomuns em comparação com seus concorrentes. Como pontuou o Patrick Jackson, diretor de tecnologia da Disconnect, é "extremamente invasivo".

Esses pixels enviam informações sensíveis, como dados da saúde do usuário, e-mails, hábitos de navegação e comportamentos dentro dos aplicativos, etc., e esse rastreamento ocorre sem o consentimento do usuário, mesmo que ele sequer tenha uma conta na plataforma. Essa tática está acontecendo, pois segundo um porta-voz do TikTok, a plataforma expandiu seu sistema de publicidade após as mudanças de operação nos EUA. Este novo pixel é considerado mais invasivo do que outros concorrentes e ele pode até mesmo interceptar dados enviados originalmente para o Google, ampliando ainda mais o volume de informações coletadas pelo app.

Ainda no artigo da BBC, os mais céticos a sua política de privacidade dizem que o problema é que grandes empresas de tecnologia como o TikTok estão cada vez mais acompanhando tudo o que você faz online (assim como o Google e a META fazem pelo smartphone), e comparando a de outras big techs que citei-as a pouco, ela detêm 5% dos rastreadores num total de aproximadamente 93% (21% por parte da META e inacreditavelmente, 72% no lado do Google), ou seja, o TikTok está expandindo no ramo de rastreadores, mais longe de chegar das suas concorrentes que se consolidaram no mercado global da Internet. A pesquisa foi feita pela DuckDuckGo.

Por fim, o artigo informa maneiras de se proteger, como usar navegadores privados (como o DuckDuckGo) e/ou instalar bloqueadores de rastreadores, como o uBlock Origin.

Se você quiser saber mais da coleta massiva de dados e informações sensíveis feito pelo TikTok, você pode ler o artigo da Consumer Reports que detalha cada passo da coleta ao processamento das informações e adianto, quem tem bom senso e se preocupa seriamente com privacidade, jamais usa o aplicativo.

Falando em privacidade, a ByteDance decidiu por não adicionar a criptografia de ponta a ponta em mensagens no TikTok por "colocar os usuários em risco", já que isso impediria que autoridades competentes e equipes de segurança de acessarem conversas dos usuários, quando isso fosse necessário. 

O fato se tornou controverso, já que praticamente todas as big techs que tem suas aplicações de redes sociais usam a criptografia de ponta a ponta, como o WhatsApp (embora haja artigos de que a criptografia do mensageiro seja cheia de vulnerabilidades implantado de propósito pela própria META), o Telegram (que é um dos poucos mensageiros que levam a privacidade a sério e a criptografia em si), o iMessage da Apple, o X (antigo Twitter), etc. Isso significa que a plataforma de vídeos curtos tem livre acesso a TODAS AS MENSAGENS que o usuário envie na plataforma.

Resumindo o funcionamento da criptografia ponta a ponta, ela garante que ninguém além de você e seu destinatário consiga ler a mensagem, incluindo hackers, o governo e nem a própria empresa que criou o aplicativo. No momento em que você envia uma mensagem, ela é embaralhada e percorre todo o caminho pela Internet em formato ilegível e só é descriptografada quando chega ao remetente de quem recebe-a pelo aplicativo. Qualquer tentativa de interceptação no meio do caminho resulta em uma bagunça indecifrável - basta fazer uma analogia e comparar ao funcionamento de uma VPN, que é praticamente a mesma coisa.

Apesar dessa afirmação o tanto quanto 'absurda', a plataforma diz que usa outro tipo de criptografia, que é a padrão, na qual protege as mensagens apenas quando o usuário navega pela Internet. A mesma ainda continua a dizer que o acesso às mensagens é restrito aos funcionários treinados com "necessidade comprovada" de visualizá-las, seja por ordem judicial ou durante investigações internas de segurança. Francamente falando, as conversas não se limitam apenas ao destinatário e o remetente, mas sim a própria plataforma por meio dos seus funcionários autorizados e porventura, o governo ou autoridades equivalentes.


Apple restringe atualização e download de aplicativos da ByteDance na App Store

Desde o final de janeiro, em uma reportagem da WIRED, milhares de usuários do iOS relataram que baixar ou atualizar os aplicativos da ByteDance (que controla o TikTok, CapCut, Lemon8, etc.) se tornou impossível na App Store, mesmo que usem VPN com conexão à China com a combinação de utilizar contas chinesas da Apple para transferir as aplicações.

Esse fato se oriunda a partir de uma determinação de Abril de 2024, que se baseia na Lei de Proteção dos Americanos contra Aplicativos Controlados por Adversários Estrangeiros (ou Protecting Americans from Foreign Adversary Controlled Applications Act), onde os aplicativos desenvolvidos pela ByteDance Ltd. e suas subsidiárias, não estarão mais disponíveis para download ou atualizações na App Store para usuários nos Estados Unidos a partir de 19 de Janeiro de 2025.

Tanto a ByteDance quanto a Apple não responderam aos questionamentos feitos pela WIRED.


Shein

Fundada em 2008 pelo Chris Xu na cidade de Nanjing, na China, a Shein (antes chamada ZZKKO) é um e-commerce varejista online e é conhecida por seu vestuário com preços acessíveis e durante a pandemia de COVID-19, a empresa se popularizou mundialmente, chegando ao Brasil em 2021. Ela é administrada pela Zoetop Business Company.

A empresa tem inúmeras controvérsias, que varia desde o trabalho e mão de obra escravo, onde em uma investigação, constataram que os funcionários trabalhavam por 75 horas semanais, violando as leis trabalhistas da China. Também ela é acusada frequentemente de roubo a propriedade intelectual.

Mas na área de tecnologia, ela já foi muito noticiada por vários motivos. Por exemplo, em 2018 (onde o app nem era conhecido no Brasil), ela sofreu uma grave violação de dados, onde endereços de e-mail e senhas dos usuários, que na época era mais de 6,48 milhões foram comprometidos. 

Em 2020, o aplicativo da Shein foi banido na Índia, assim como o TikTok e o Kwai por representarem uma "ameaça à soberania e integridade". Essa medida estava ligada à segurança de dados, dizendo em um comunicado no verão daquele ano que havia recebido inúmeras reclamações sobre uso indevido e transmissão de informações de usuários por alguns aplicativos móveis para servidores fora da Índia. Isso também elevou a tensão de uma disputa de território entre a China e a Índia na época. 


TEMU: concorrente da Shopee que rouba seus dados sem perceber

A TEMU é uma plataforma de comércio eletrônico fundada em 2022 em Boston por um grupo empresarial chinês de comércio chamado PDD Holdings. O aplicativo de e-commerce chinês vende uma linha de produtos acessíveis de milhões de marcas e parceiro e com preços tão baixos de US$ 1 a US$ 50, muitos dos itens da TEMU são imitações de produtos de marcas famosas, o que pode resultar em qualidade inferior.

Poucos sabem, mas além de o aplicativo da TEMU ser de origem chinesa, ele também coleta todos os dados do smartphone sem o consentimento do usuário, segundo o relatório da Grizzly Research que fez uma auditoria completa no app e considerou-o como um spyware oculto com uma gama completa das formas mais agressivas de malware e spyware.

Exemplo inclui funções que exfiltram (equivalente a roubo) dados extensivamente, sem o conhecimento ou permissão dos usuários. Mais evidências de comportamento malicioso desse programa descobertas pela equipe da Grizzly, apontam características típicas de malware e spyware, como:

  • Compilação dinâmica de código runtime.exec(), criando executáveis não submetidos a checagens de segurança.
  • Referências a permissões invasivas (câmera, microfone, localização precisa, gravação de áudio), muitas vezes não declaradas no manifesto Android.
  • Acesso amplo ao sistema de arquivos e leitura de logs, combinado com funcionalidades de upload remoto conectadas a servidores na China.
  • Ofuscação intensiva de código (bibliotecas de criptografia, pastas e nomes aleatórios) para dificultar auditorias.
  • Detecção de depuradores, checagem de root e consultas a processos em execução para bloquear análises.

Na imagem a seguir, mostra cada atividade maliciosa que o aplicativo faz e que em todos ele pode ser considerado um malware.

Lista de atividades maliciosas de alguns apps. Em vermelho na coluna do aplicativo TEMU, mostra que o aplicativo pode ser considerado mutuamente como um malware e spyware (imagem remasterizada pelo IrfanView)

É bom relembrar que a legislação chinesa exige que bancos de dados de empresas locais estejam acessíveis a agências de inteligência do Estado e que os dados coletados (localização em até 10 metros, histórico de compras, SMS, contatos) poderiam interessar a autoridades chinesas para vigilância de funcionários do governo, militares, policiais ou minorias.

O relatório alerta que o TEMU representa uma ameaça mais séria ao interesse nacional dos EUA do que o TikTok. Uma das funcionalidades mais perigosas é compilação dinâmica, que permite que o app da TEMU compile e execute um novo aplicativo no smartphone do usuário sem que este saiba disso. O TEMU foi criado pelo mesmo time do Pinduoduo, app que foi bloqueado em 2023 pelo Google por ter malware embutido nele.

Em Maio deste ano, a e-commerce chinesa Shein processou a TEMU por violar os direitos autorais em escala industrial, onde ela afirma que a TEMU utilizou indevidamente cerca de 2.300 imagens de seus produtos para anunciar cópias de roupas de marca própria, com objetivo de obter uma "vantagem desleal". Segundo Benet Brandreth, advogado da Shein, a concorrente teria se aproveitado das fotos produzidas por funcionários da plataforma.


Otimizadores de PC: a pura enganação e o perigo real de usá-los

Desde quando o Windows XP se popularizou desde o início dos anos 2000, esses otimizadores se tornaram ainda mais conhecidos, mas pela falta de conhecimento do usuário, eles ficaram famosos e até hoje, ainda é popular o uso dos otimizadores para aumentar o desempenho do Windows. Eles são em sua maioria, de origem chinesa, onde no país, a privacidade não existe por lá.

Só pelo fato de não haver privacidade por lá, inclusive os softwares desenvolvidos no país, as empresas de software que criam esses otimizadores escondem a todo o custo delas serem chinesas, para não serem desmascarados.

Um belo exemplo REAL disso está no próprio fórum da IOBit, onde um internauta, esse banido por desmascarar a origem da empresa, citou informações valiosíssimas sobre a IOBit. Veja um trecho da postagem, publica no fórum - link da publicação.


[...] A atual "Get Holdings LLC", que é negociada na bolsa de valores de Hong Kong, é composta por dezenas de outras empresas. Muitos, que encontrei com ligações diretas a escritórios governamentais dentro da República Popular da China (RPC)

Muitos dos mesmos nomes de acionistas e diretores aparecem nas múltiplas empresas, de propriedade direta ou operadas por pessoas com vínculos diretos com a RPC. Deve-se notar que, apesar da criação de um veículo de investimento complexo chamado "entidade de interesse variável", todas as empresas dentro da RPC são de propriedade e/ou controladas pelo governo e nenhuma propriedade estrangeira é permitida pela lei nacional. Penso que a fome da China de acesso aos mercados monetários mundiais através do Grupo HKEx está bem documentada. Ao contrário de outros mercados de ações mundiais, que são bolsas de capital fechado, o HKEx é de propriedade do governo.

Há demasiados laços com a RPC para listar neste fórum. Contudo; aqui está apenas um trecho, de apenas uma das antigas empresas listadas que compõem a atual "Get Holdings":

"Uma empresa controlada por uma primeira, uma subsidiária integral do Grupo, ???? ?????????? ("Guang Tai Yichang (Pequim) Technology Co., Ltd."), celebrou um acordo-quadro com a ???????? ("Greatsource Holding Co., Ltd."), uma empresa da RPC que é controlada pela Sra. Li Fang Hong, ex-Diretora Executiva e ex-acionista substancial da Companhia, e seu(s) associado(s)"

O acima é apenas um dos muitos registros oficiais da empresa.

A "Get Holding Limit Company" até mostra "IObit" como pertencente a eles.

http://www.geth.com.hk/publicsite/website/en/product.aspx [link redirecionado ao Wayback Machine]

Abaixo estão as informações oficiais listadas pela GEM, (a entidade de relatórios da Bolsa de Valores de Hong Kong)

"GET Holdings Limited", uma holding de investimentos, se dedica à pesquisa, desenvolvimento e distribuição de software de desempenho de computador pessoal, software antivírus, aplicativos de telefone celular e anúncios de barra de ferramentas nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Hong Kong, Austrália, Canadá, Rússia, Japão e internacionalmente. A empresa também oferece serviços de desenvolvimento de sites e produtos e serviços de e-learning; e serviços de corretagem de seguros e previdência obrigatória, bem como está envolvido nos negócios de investimento em valores mobiliários e empréstimo de dinheiro. Além disso, atua no fornecimento de soluções de gestão corporativa e serviços de contratação de tecnologia da informação; e soluções de infraestrutura de rede e serviços profissionais de rede, bem como na revenda de hardware e software. A empresa era anteriormente conhecida como M Dream Inworld Limited e mudou seu nome para GET Holdings Limited em novembro de 2014. A GET Holdings Limited foi constituída em 2001 e está sediada em Wanchai, Hong Kong.

Quanto a saber se o software IObit permite ou instala spyware e outros bugs do computador, deixe-me ser claro! Eu não sou um especialista em computadores, por isso não posso afirmar impunemente que os produtos IObit carregam e instalam esses spywares e outros softwares maliciosos.

No entanto, há um velho ditado americano: "Se há fumaça, há fogo". Com isso em mente, há muitos artigos listando alegações e relatos de ataques informáticos do governo chinês; na verdade, a RPC não nega que esse tipo de ataque faz parte de seus (supostos) planos de defesa. Levando em conta todos os recentes relatórios adversos sobre muitas das origens do spyware, malware, invasões de computador e vírus do mundo, só me parece imprudente continuar usando um produto que eu não sinto mais seguro usar.

Com base no relato desse usuário, a empresa que é dona da IOBit tem laços com o governo chinês, onde por essa afirmação, já conclui que ela JAMAIS devia ser levada a sério, além de evitar de usar qualquer produto dela. Não apenas ela, mas a própria Glary, dona do otimizador Glary Utilities, no site deles informa que os termos da empresa seguem a RPC (República Popular da China).

E com relação ao Clean Master, ele também é conhecido por ser acusado de roubar dados, além de exibir anúncios indesejados. Ele já foi banido inúmeras vezes da Play Store, e em Fevereiro de 2020, esse aplicativo e mais de 600 outras aplicações, incluindo da Cheetah Mobile foram banidos da Play Store, segundo o Google, e ainda segundo a Forbes, ainda naquele ano, o limpador gravava a navegação na Internet do usuário que tinha o Clean Master instalado, de acordo com a análise do site VPN Pro.

Ainda segundo o teste feito pela equipe do site, 12 das 15 aplicações eram baseados na China e em Hong Kong, sendo que as três desenvolvedoras dessas aplicações se situavam em um mesmo endereço em Hong Kong. Um desses aplicativos foi identificado como rogueware, que pra quem não sabe, são aplicativos e programas maliciosos projetados para enganar os usuários e fazer com que eles acreditem que seu computador está infectado por vírus ou que apresenta problemas de segurança, quando na verdade não está. O objetivo principal dele é convencer os usuários a pagar por uma versão "premium" do software falso ou a divulgar informações pessoais e financeiras.


Microsoft PC Manager: o otimizador oficial que nasceu na China

Em 2022, surgiram notícias de que a Microsoft China tinha lançado uma ferramenta de limpeza para o Windows, chamado PC Manager, criado originalmente em Março de 2022 em fase experimental e disponibilizada para o público no terceiro trimestre daquele mesmo ano.

Embora a ferramenta seja criada pela própria Microsoft, ela foi desenvolvida e mantida pela sua desenvolvedora na China - e isso pode ser facilmente comprovado na página de perguntas do Microsoft Learn, onde um especialista em suporte da comunidade Microsoft confirmou de que a ferramenta pertence a Microsoft (China) Co. Ltd.. Como você já leu desde o início este artigo, caso você se preocupe seriamente com privacidade e segurança, não se deve usar qualquer programa chinês.

Poucos sabem, mas há relatos de usuários de que a ferramenta estaria se comunicando com servidores chineses, algo totalmente incomum para uma ferramenta de limpeza que não depende de conexão à Internet para funcionar. Por fim, o PC Manager foi criado e projetado especificamente ao mercado chinês (por isso, há a comunicação da ferramenta com os servidores de lá), pois boa parte da infraestrutura de desenvolvimento da ferramenta se baseia na China, e a sua presença é obrigatória em modelos novos de computadores e notebooks vendidos no país asiático e os motivos disso ainda são desconhecidos (ou talvez, para o governo dar continuidade com a vigilância estatal em parceria com a Microsoft China).


A praga dos antivírus chineses

Desde o início do desenvolvimento dessas tranqueiras de segurança, elas se tornaram muito famosos pelo fato de serem gratuitas e com visuais amigável, principalmente no Brasil. Essa fama toda acabou, pois os usuários ficaram muito mais esclarecidos sobre segurança e os seus produtos ficaram obsoletos (isso fora da China).

Todos os antivírus chineses conhecidos foram criados por empresas que não tem foco especial em segurança digital, sendo a Baidu (que é basicamente a "Google chinesa"), a Qihoo, que é uma empresa de desenvolvimento de jogos, espaços publicitários, etc., além da PSafe, a IOBit e a Tecent, que é uma empresa de T.I que copia tudo de suas concorrentes chinesas. O lucro dessas empresas vem exclusivamente de publicidade, e não com a venda de soluções de segurança (caso fosse comprometida com segurança).

A começar pelo Baidu, o seu antivírus inicialmente usava o engine da Kaspersky, mas nas versões posteriores ele utilizou o engine do Avira. A Tencent usava o engine do Avira e a Qihoo utilizava o engine do BitDefender - o engine é basicamente o mecanismo de busca de malwares. Os antivírus chineses sempre dependeram de mecanismos de empresas sérias de antivírus para tentar alavancar a sua credibilidade e eficiência, sem contar o fato de dois antivírus chineses terem trapaceado em testes de antivírus a mais de 10 anos, sendo respectivamente a Qihoo e a Tencent, apenas mostra a falta de seriedade e credibilidade deles. 

Falando em seriedade, há muito tempo atrás, em 2009, a IOBit foi acusada pela Malwarebytes de estar roubando e incorporando o banco de dados de seus produtos, sendo que no caso, a Malwarebytes tinha criado um falso vírus na qual apenas os produtos DELA que podia ser detectado, e a mesma tinha criado assinaturas falsas e arquivos imaginários que não existiam na realidade na detecção dessa falsa ameaça. Mas para favorecer seus produtos, a IOBit teria detectado um keygen da própria Malwarebytes com o mesmíssimo nome de detecção, sendo que pouco tempo depois, o IOBit Security 360 (atual Malware Flighter) passou a detectar esses arquivos com nomes quase idênticos, o que indicaria que o banco de dados foi copiado. Mas na análise no VirusTotal, mostrava-se que nenhum outro antivírus detectava o falso vírus, reforçando que a detecção podia ser feita apenas pelo Malwarebytes. A empresa acusou a IOBit de roubo de propriedade, fraude e atividades ilegais, além de exigir da IOBit que removesse imediatamente qualquer parte do banco de dados plagiado da Malwarebytes.

E como qualquer software chinês deve ser motivo de desconfiança para aqueles que trabalham com cibersegurança, nada melhor do que abordamos alguns fatos intrigantes no mercado de segurança digital:

Agosto/Setembro de 2013: A Qihoo foi acusada de instalar backdoors em seus produtos para roubar dados do usuário e instalar DLLs desconhecidas, tudo isso sem o consentimento do usuário. Anterior a isso, em 2012, a Qihoo foi acusada de embutir backdoors em seus aplicativos para smartphone, sendo que essa polémica fez com que a Huawei abandonasse a parceria com a Qihoo.

Agosto de 2014: o governo chinês proibiu o uso de antivírus conhecidos, sendo a Kaspersky e a Symantec, nos computadores do governo chinês, sendo que o próprio governo ordenou o uso de apenas 5 antivírus - todos esses chineses, sendo que na lista, estava a Qihoo. Não precisamos nem responder os motivos reais por trás disso.

Janeiro de 2026: o governo chinês proibiu o uso de qualquer solução de segurança, inclusive antivírus, provindo de Israel e EUA em território chinês. A medida, segundo o governo, visa promover a adoção de tecnologias locais para proteger dados sensíveis e reforçar a segurança digital, mas gerou preocupações sobre o impacto na indústria global de T.I. A China justificou a decisão com o argumento de que o uso de produtos de empresas estrangeiras poderia "resultar no envio de dados sensíveis para fora do país", criando vulnerabilidades no sistema de segurança nacional [como se outros países fizessem o mesmo que a China faz. Só rindo mesmo].

Entre as empresas afetadas estão grandes nomes como Palo Alto Networks, Fortinet, e Check Point Software Technologies, que fornecem soluções de cibersegurança amplamente utilizadas em setores críticos como finanças e infraestrutura. A McAfee, destacou que seus produtos são voltados para consumidores individuais e não para uso governamental, sugerindo que a medida pode afetar seu acesso ao mercado chinês. Por outro lado, empresas como a CrowdStrike e a SentinelOne, que já não oferecem seus produtos na China, se mostraram menos impactadas pela medida.

De acordo com a diretiva exigida, as empresas chinesas terão até o primeiro semestre de 2026 para remover os produtos de cibersegurança estrangeiros de suas operações e substituí-los por alternativas desenvolvidas no país. A proibição inclui não apenas software antivírus, mas também outras tecnologias de segurança cibernética, como firewalls e sistemas de monitoramento de redes. O governo chinês não forneceu detalhes sobre quais produtos locais seriam adequados para substituir as soluções estrangeiras, mas já existem várias empresas nacionais [da China] que fornecem alternativas.

A medida é vista como um espelhamento das ações dos EUA contra empresas chinesas, como a Huawei, onde sua presença é aniquilada em órgãos governamentais, como abordarei mais ao longo desse artigo.


A privacidade em risco por antivírus chineses

Se isso não se convence de que os antivírus chineses são uma ameaça para segurança digital, nada melhor do que um banho de água fria. Vamos nos aprofundar da política de privacidade do 360 Total Security da Qihoo, que de início, já mostra o grau de abuso de privacidade feita pelo seu antivírus.

A política mostra que o antivírus da Qihoo pode, além de pedir dados comuns (como nome e e-mail), ela pode acessar suas contas, preferências (ou interesses), informações do computador, sendo a CPU, disco, RAM, rede e o uso de ambos, arquivos pessoais como documentos, fotos, vídeos, etc., endereço IP, histórico de navegação, login e senha, acesso total a sua rede social (incluindo mensagens), data e hora de pedido (ou compras), informações bancárias, etc., e tudo isso que você leu é o que um antivírus chinês pode fazer quando você usa-o, detonando sua privacidade e essas ações feitas pelo antivírus é tipicamente técnica de um malware e não um antivírus comum. Não duvido de que essa política de coleta de dados se replique a outros antivírus chineses.

Se você tem ou conhece alguém que use qualquer antivírus que seja de origem chinesa, ordeno que desinstale-o imediatamente do computador ou smartphone, dando preferência a outros antivírus que seja confiável e desenvolvido por uma empresa que se preocupa com segurança digital.


Terabox: armazenamento em nuvem gratuito que pertence a Baidu

Esse serviço em nuvem criado em 2020, na época da COVID-19 fez muito sucesso pelo fato do serviço disponibilizar 1 TB gratuito na nuvem. Embora pareça muito vantajoso, muitos usuários especulam de o fato de uma empresa disponibilizar uma capacidade de armazenamento absurdamente grande sem custo algum aos seus data centers.

Antes de falarmos do Terabox, vamos falar de seus antecessores. Antes de sua existência, a Baidu tinha apenas um serviço de armazenamento em nuvem, que é o Baidu NetDisk (hoje Baidu Wangpan, desde 2016), que foi lançado em Março de 2012. O serviço consistia em armazenar arquivos na nuvem (assim como em qualquer outro serviço em nuvem), inicialmente com 15 GB gratuito, tentando concorrer com o SkyDrive (renomeado como OneDrive) e o DropBox, que disponibilizava apenas 2 GB em nuvem.

E como você já sabe que a Baidu é de origem chinesa, as controvérsias contra o serviço em nuvem da gigante chinesa não demoraram muito para aparecer. Em 26 de dezembro de 2013, o Centro Nacional de Segurança da Informação (NISC) do governo japonês e o Ministério da Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia do país aconselharam 140 instituições a desativar a função de entrada em nuvem dos Editores de Método de Entrada (IMEs) do Baidu ou parar de usar os IMEs do Baidu. De acordo com a Bloomberg News, Tsuneo Tosaka, gerente de pesquisa de software e segurança da IDC Japão, afirmou: 

"O Baidu fornece o serviço usando um servidor em nuvem, o que significa que o conteúdo flui através de servidores na China"

"Documentos relacionados ao governo dos ministérios centrais do Japão e descobertas de instituições de pesquisa universitárias são importantes, portanto, existe a possibilidade de que informações confidenciais vazem para o exterior".

Além disso, o Ministério das Relações Exteriores do Japão removeu todos os programas da Baidu em cinco computadores oficiais (incluindo o antigo NetDisk), localizados na sede do ministério em Tóquio, Japão. Em troca, eles usaram outros programas, desenvolvidos por uma empresa local (Justsystem Corp.) e pela Microsoft (sediada no Japão).

Em 2018, o Baidu Wangpan pediu números de telefone celular na região da China continental, para que usuários estrangeiros não pudessem usar o serviço, pelo fato deles usarem o serviço para fins ilegais e ser considerado um berçário da pirataria digital, tanto que a Baidu excluiu uma imensa quantidade de arquivos que continha direitos autorais, que consequentemente afetou outros usuários que guardavam arquivos imensos na nuvem, e fez com que a velocidade de download fosse limitada à 50 Kb/s - e para baixar sem esse limite, a Baidu disponibilizava um plano VIP para a recuperação dos arquivos, sem nenhuma limitação de download - e isso fez com que usuários se irritassem com essa regra.

Em Setembro de 2020, a Baidu lança o Dubox, um serviço em nuvem com 1 TB de armazenamento grátis, que segundo algumas fontes, o serviço se destinava exclusivamente aos usuários estrangeiros (fora da China), sendo renomeado para Terabox em Abril de 2021, e curiosamente, o Terabox não pode ser acesso pelos próprios chineses.

Resumido a história até aqui, agora vamos nos aprofundar sobre o Terabox. Apesar do aplicativo ser de "origem japonesa" e pertencer a uma subsidiária também de origem japonesa, a Flextech Inc., a empresa responsável tinha um vínculo muito forte com investidores chineses e isso deixou de acontecer aos poucos até Março de 2024, onde ela reposicionou sua marca e passou a seguir as leis de proteção de dados do Japão, que é a APPI e a GPDR (Europa). Uma curiosidade que não é comentada, é sobre sua política de privacidade, ainda quando era chamado de Dubox por parte da Baidu, as informações pessoais e dados sensíveis dos mesmos eram armazenados em Hong Kong, que pertence a RAE.

Mas apesar disso, há quem garante que o vínculo com o governo chinês e seus investidores ainda continuem a controlar o Terabox. Prova disso é que a dona do serviço em nuvem não publica seu API, sem contar que sua criadora, a Baidu, tem inúmeras polêmicas referente a violação de dados e envio de dados sensíveis aos servidores na China, como citei a pouco, e que deixam ainda mais 'queimado' a Baidu na área de tecnologia, sem contar o histórico de censura que o Baidu faz nacionalmente na China.

Mesmo que ela seja de origem japonesa, se você tiver bom senso em se preocupar com sua privacidade, você JAMAIS usaria algo que já foi de origem chinesa, pois por debaixo dos panos, há quem acha (como eu por exemplo) que a Flextech seja mantida e apoiada pela Baidu e pelo governo chinês.


Sobre o Flextech Inc.

Flextech Inc é a empresa-mãe da TeraBox. De acordo perfil dela no LinkedIn, a Flextech Inc. é uma empresa sediada no Japão com pouco mais de 200 funcionários. Ainda segundo a descrição no perfil da empresa, ela foi fundada em junho de 2020 (na época da pandemia de COVID-19) e oferece serviços relacionados à tecnologia da informação (T.I).

Informações incompletas em relação à Flextech, dona da Terabox, em seu perfil no LinkedIn


Porém, não há nenhuma informação sobre o CEO da Flextech, apenas dos funcionários que ali trabalham. Ainda sobre ela, a empresa afirma ter mais de 320 milhões de usuários do Terabox e mais de 20 milhões de usuários ativos diários de mais de 200 países. Eles estão sediados em Tóquio, Japão, e seu centro de pesquisa e desenvolvimento também estão lá. Ainda segundo eles, a equipe é composta por engenheiros de empresas líderes em tecnologia como Apple, Google e Microsoft. Porém, a informação não é confirmada por nenhuma dessas empresas.


MEGA: serviço em nuvem nas mãos de um investidor chinês

Em Julho de 2015, o Kim Dotcom, fundador do MEGA, declarou que o serviço em nuvem estaria nas mãos de um investidor chinês procurado cujas ações foram apreendidas pelo governo da Nova Zelândia, colocando-a em controle efetivo da empresa. A empresa afirma que não houve aquisição hostil e que as ordens judiciais atingem apenas acionistas específicos, não a empresa como companhia.

O próprio fundador diz não confiar mais no serviço e afirma que os dados dos usuários não estariam mais seguros. A MEGA rebate dizendo que Dotcom está fazendo declarações difamatórias e que ele não tem relação com a empresa desde 2013.

O Dotcom está envolvido em uma saga legal e política na Nova Zelândia desde que ele foi preso e sua casa foi invadida no início de 2012 devido às suas atividades e envolvimento na fundação do Megaupload. Ele continua enfrentando extradição para os Estados Unidos por violação de direitos autorais e extorsão.


Zoom: serviço de videoconferência sem privacidade decente e roteamento de chamadas para a China

Na escalada da pandemia de coronavírus em Março de 2020, muitos trabalhadores e profissionais de diversas áreas foram obrigados a trabalhar de suas casas e nisso, muitos destes trabalhadores usaram seus próprios dispositivos, como computador, notebook e em especial o smartphone, para poderem se reunir online por videoconferência, como o Microsoft Teams, Google Meet, e especialmente o Zoom - esse lançado em 2011 pela sua desenvolvedora americana, que leva o mesmo nome do aplicativo.

E com o uso explosivo do Zoom atraiu diversas pessoas, incluindo governos, empresas, profissionais de saúde, educação, ativistas políticos e até a imprensa (jornais, rádios, emissoras de televisão, etc.), o serviço de videoconferência se tornou um alvo valioso para espionagem em escala industrial e estatal. Não demorou muito para que polêmicas graves de segurança e outras descobertas absurdas começassem a surgir na imprensa especializada em tecnologia em plena época de quarentena. Algumas dessas polêmicas serão abordadas em ordem cronológica:

Março de 2020: o Zoom admitiu que algumas chamadas de vídeo eram roteadas pela China por engano. Na ocasião, segundo a empresa, diante do aumento expressivo da capacidade de seus servidores para acomodar milhares de usuários em razão da pandemia, dois data centers localizados na China permitiram "acidentalmente" chamadas como backup em caso de congestionamento na rede. Isso não afetou para os usuários do plano governamental, destinado a órgãos estatais e governo.

Diante dessa repercussão negativa, a mesma pediu desculpas pelo ocorrido e disse que implementou medidas internas para que não ocorram problemas semelhantes, em especial acessos não autorizados durante as reuniões, contudo, a exceção para a China, já que ela admite que autoridades chinesas podem exigir que o Zoom entregue chaves de criptografia para "facilitar a descriptografia" de conteúdos de reuniões ou chamadas criptografadas.

 Março de 2020 (2): de acordo como Jack Morse do site Mashable, a política de privacidade do Zoom não é tão amigável o quanto muitos imaginam e é um campo minado em relação a privacidade. Na política de privacidade do aplicativo de videoconferência, o jornalista destacou que os dados pessoais de usuários são usados para melhorar a experiência publicitária (similar ao que ocorre com o Google Ads e Analytics), além de compartilhar esses dados pessoais (e sensíveis) para provedores terceirizados enquanto você usa um dos serviços do Zoom (como empresa) e ainda pode se enquadrar na definição ampla a um nível extremamente grande na venda de "dados pessoais" sob certas leis estaduais (quais são elas??), pois essas empresas podem usar seus dados para propósitos comerciais próprios, assim como para os fins do Zoom. Em outras palavras, assim como o Google e a META fazem, eles vendem seus dados a terceiros para te "empurrar" publicidade, lucrando igual as big techs fazem, mas com algo a mais, ela usa a reunião, transcrições e até documentos que o usuário adicione na chamada de vídeo do serviço para empurrar anúncios baseados nas conversas dentro das reuniões do Zoom - isso nomeado por ela própria como "conteúdo do cliente".

 Março de 2020 (3): de acordo com o site The Intercept, a plataforma de videoconferência não oferece criptografia de ponta a ponta (como expliquei no tópico do Kwai/TikTok) para áudio e vídeo, mas usando a criptografia de transporte (TLS), similar ao que é usado em sites com HTTPS. Na prática, as chamadas até são "criptografadas", mas que o próprio serviço pode acessá-las quando quiser, já que é possível descriptografar em seus servidores.

Embora o Zoom exiba mensagens de que a conexão seja criptografada no aplicativo, na realidade ela se refere a conexão entre o usuário e os servidores do aplicativo e não entre os participantes que participam das reuniões. Isso foi considerado como marketing enganoso e especialistas classificaram como confuso e desonesto, o uso do termo E2E, tanto que essa prática é considerada enganosa ao consumidor, inclusive no Brasil com o artigo 66 do CDC. A única função em que de fato usa-se o E2E é o chat em texto, onde apenas os dispositivos dos participantes das chamadas podem ler as mensagens enviadas pelos participantes.

Por fim, apenas clientes (apenas as grandes empresas e corporações) que usem o plano Meeting Connector (servidor hospedado internamente) conseguem impedir que o Zoom acesse áudio ou vídeo, tendo mais privacidade as conversas corporativas aos funcionários.

• Abril de 2020: uma matéria do The Citizen Lab mostra que o Zoom apesar de ser americana, na verdade tem laços com desenvolvedores chineses, tanto é que parte do desenvolvimento do serviço de videoconferência foram feitas por empresas de T.I chinesas, sendo a Ruanshi Software (软视软件) e American Cloud Video Software Technology Co., Ltd. (美国云视频软件技术有限公司).

O documento mais recente do Zoom à SEC mostra que a empresa (por meio de suas afiliadas chinesas) emprega pelo menos 700 funcionários na China que atuam na parte de "pesquisa e desenvolvimento". O documento também sugere que 81% da receita do Zoom vem da América do Norte. A vantagem é que a empresa aumenta a margem de lucro e reduz as despesas se for desenvolvido na China, no entanto, esse arranjo também pode expor o Zoom à pressão das autoridades chinesas. Embora o aplicativo principal Zoom (zoom.us) tenha sido supostamente bloqueado na China em Novembro de 2019, há várias empresas chinesas terceirizadas que vendem o aplicativo Zoom dentro da China (por exemplo: zoom.cn, zoomvip.cn, zoomcloud.cn).

Voltando a falar em criptografia, o artigo complementa as informações publicadas pela The Intercept, onde o Zoom afirma usar a criptografia do tipo AES-256, mas factualmente, ela usa o AES-128 no modo ECB, que é muito mais inseguro, já que seu uso é altamente inadequado para a proteção de áudio e vídeo. Nisso tudo, todos os participantes de uma chamada compartilham uma única chave AES-128 que é gerada pelos servidores do Zoom.

Por curiosidade, a equipe do The Citizen Lab realizou testes, onde neles, as chaves de reuniões do Zoom foram transmitidas para servidores localizados em Pequim, que é a capital da China, sendo que todos os participantes estavam na América do Norte. O mais preocupante é que as autoridades chinesas podem exigir acessos as chaves de criptografia de maneira legal (se baseando na Lei de Inteligência Nacional), quando isso for necessário em caso de uma investigação, por exemplo. E como citei anteriormente, o Zoom possui mais ou menos 700 funcionários, sendo a maioria na China, isso aumenta ainda mais a vulnerabilidade do serviço, em especial, as pressões do regime comunista.

O Zoom também não usa protocolos padrão, como o SRTP (Secure Real-time Transport Protocol ou Protocolo de Transporte Seguro em Tempo Real), sendo substituído por um protocolo proprietário (da própria empresa) que enfraquece drasticamente a segurança do serviço, sendo uma facilidade a mais para ataques envolvendo espionagem e interceptação de informações sensíveis e sigilosas.

Junho de 2020: por fim, a pedido do governo chinês, o Zoom foi notificado pelo regime chinês de que havia quatro reuniões públicas relacionadas ao dia 4 de Junho de 1989, onde nesta data, houve um protesto pacífico na Praça da Paz Celestial e o governo reagiu com repressão e muita violência contra os manifestantes que ali estavam, a ponto de haver um massacre que ficou marcado na história do país, que ocorreu na praça Tiananmen e essas reuniões tratavam justamente das vítimas daquele massacre. Segundo o governo, as reuniões eram consideradas ilegais de acordo com a lei local e exigiu que essas reuniões no Zoom sobre o ocorrido fossem cessadas imediatamente, além de suspender contas, sendo que algumas estavam fora do país (EUA e Hong Kong).

O Zoom reconhece que errou ao suspender contas de usuários fora da China e de encerrar reuniões inteiras, ao invés de bloquear apenas os participantes chineses, algo que o serviço não ter capacidade técnica de fazer na época. Tempos mais tarde, as contas foram restabelecidas.

A empresa declarou também que não forneceu dados de usuário, muito menos o conteúdo das reuniões ao governo chinês, além de ressaltar que não há backdoor que permita o acesso oculto a reuniões. Em um dos casos, manteve a reunião ativa porque não havia participantes da China continental.

Após o fato, a empresa prometeu criar uma tecnologia que permite bloquear participantes por geografia, permitindo cumprir leis locais sem que isso afete os usuários de outros países. Também decidiu publicar um relatório de transparência, detalhando como lidar com solicitações governamentais, além de revisar sua política global para que pedidos semelhantes serem cumpridas no futuro.


CapCut: editor de vídeo que acessa seus vídeos sem autorização 

Desenvolvida pela ByteDance, a mesma que criou o TikTok, que abordei em um tópico, também se escandalizou ao mudar os termos de serviço do aplicativo no dia 12 de Junho de 2025, e sob esses novos termos, os usuários concedem ao CapCut e seus parceiros uma licença global, perpétua, irrevogável e isenta de royalties para usar qualquer conteúdo carregado no aplicativo. Isso inclui o direito de reproduzir, distribuir, modificar e sublicenciar o material, sem notificar o usuário ou oferecer compensação. Ainda mais preocupante, o CapCut considera todo o conteúdo enviado como não confidencial.

De acordo com a jornalista britânica, Erika Marzano do site Journalism.co.uk em relação a matéria publicada sobre o CapCut, isso pode não parecer perigoso a usuários comuns, mas aos jornalistas e profissionais de imprensa que usam ele, isso é visto como nocivo e cria riscos ao aplicativo usá-lo. Isso significa que imagens editoriais, conteúdo de marca, entrevistas exclusivas ou até mesmo matéria-prima sensível podem ser reaproveitadas, recontextualizadas ou monetizadas por terceiros sem o conhecimento ou consentimento do jornalista. Ainda mais preocupante, os termos permitem que o CapCut e seus parceiros usem o nome de usuário, rosto ou voz de um jornalista para identificá-los publicamente como a fonte de um vídeo, inclusive em conteúdo patrocinado ou publicidade.

Os riscos ao usar o CapCut em matérias jornalísticas compromete a segurança de fontes, a confidencialidade de entrevistas e a integridade editorial, inclusive, ela pode expor jornalistas que trabalham em zonas de conflito ou com fontes sensíveis. A responsabilidade por violações de direitos autorais recai inteiramente sobre o usuário, sem proteção legal da plataforma.

Muitos jornalistas amadores (ou que pertence a alguma grande mídia de rádio ou televisão) usam o CapCut para fazer edição de vídeo, já que a maioria dos repórteres e jornalistas usam o smartphone para realizar gravações de matérias jornalísticas e publica-as nas redes sociais. Poucos sabem, mas usar o CapCut pode "castigar" a sua privacidade, ainda mais para quem atua no jornalismo, já que investigações exclusivas com informações sensíveis podem ser um tesouro ao regime chinês. A única maneira de se livrar dessa espionagem é buscar alternativas de aplicativos de edição de vídeo que sejam idôneos.

Antes mesmo dessa mudança dos termos do CapCut acontecer, em 2022, a própria desenvolvedora do CapCut, a ByteDance, afirmou publicamente que os funcionários da empresa acessaram indevidamente dados privados da rede social TikTok, filial do grupo, para rastrear jornalistas e localizar a origem de vazamentos para a mídiaO objetivo era identificar ligações entre a empresa e um repórter do Financial Times e um ex-jornalista do BuzzFeed, de acordo com um e-mail do conselheiro geral da ByteDance, Erich Andersen. Em nota ao site de notícias, AFP, a ByteDance condenou a "iniciativa equivocada que violou gravemente o código de conduta da empresa".


Navegador Opera: o navegador norueguês que se tornou chinês

O navegador Opera foi comprado por um consórcio de empresas chinesas liderada pela Qihoo, por US$ 600.000,00 em 2016, além de adquirir os seus aplicativos e também o nome "Opera", exceto sua divisão de jogos e multimídia. Atualmente, o navegador se tornou de origem chinesa, e como nem precisa ir muito longe, os seus mantedores JAMAIS vão se preocupar com a privacidade do internauta. Não é à toa que, depois da compra do Opera pelo consórcio, o navegador incluiu novas funcionalidades que permitem login no Messenger, WhatsApp e Telegram, onde você pode enviar mensagens diretamente do navegador, além de VPN e carteira para criptomoedas.

Claro que críticas a ele não faltou, como no relatório da Hindenburg Research que em seu relatório sobre o Opera, critica o navegador por supostas atividades ilegais e fraudes. Segundo a publicação do artigo da pesquisa, a Opera abriu seu capital em 2018 com foco em navegadores, e desde então, a sua participação de mercado caiu cerca de 30% e as margens brutas em negócio com navegadores despencaram 22,6% em um ano. Quanto ao seu fluxo de caixa operacional foi de negativo -US$ 12 milhões, indo na contramão com resultados positivos de 32 milhões de dólares em 2018.


Opera ao rumo dos empréstimos predatórios

Após o IPO (que é quando uma empresa privada vende suas ações ao público em uma bolsa de valores), a Opera começou a investir fortemente em empréstimos de curto prazo para usuários na África (Quênia e Nigéria) e Índia, focando no desenvolvimento de aplicativos móveis de empréstimos, cujo são: OKash, OPesa, CashBean e Opay, ambos representavam quase 43% da receita total da Opera em 2019. Praticamente todos esses apps violavam as diretrizes da Play Store, na qual impede empréstimos pessoais com prazo inferior a 60 dias. A taxa de juros de ambos os aplicativos oscilava de 365% a 876%, com prazos curtos de 7 a 29 dias e o serviço enviava mensagens com ameaças aos seus clientes inadimplentes e chantageava-os. Você ler mais sobre como os quenianos abrem a mão de sua privacidade para realizar empréstimos neste artigo da Standard Media (Quênia).

Resultado disso é que houve um aumento no índice de inadimplência (mais ou menos 50% da receita de empréstimos) e forte dependência da Play Store, já que se a mesma aplicar suas políticas, o negócio da Opera com os aplicativos de empréstimos entra em colapso total. Contudo, o Opera enviou dezenas de milhares de dólares para empresas ligadas ao seu presidente (CEO), Yahui Zhou, sendo que US$ 9,5 milhões foi destinado para aquisição de uma entidade na qual o grupo já financiava e operava-a, US$ 30 milhões em aplicativo de karaokê chamado StarMaker de propriedade do CEO do Opera, além de 31 milhões de dólares para uma empresa de antivírus, usada apenas como agência de marketing. Ainda segundo o relatório, há suspeitas de saques de caixas e transações entre partes relacionadas, sem nenhuma transparência.


Críticas ao Opera

De acordo com o Corbin Davenport da Spacebar em seu artigo sobre evitar de usar o Opera, a empresa é acusada de abandonar projetos sem aviso prévio aos seus usuários, deixando várias brechas de segurança, com relação ao tópico anterior sobre o Opera ter envolvimento com aplicativos de empréstimos, ela também é acusada de explorar mercados financeiros emergentes com empréstimos abusivos, além de apostar em modismos sem consistência (tornando-os passageiros).

Se você se deparar com qualquer Youtuber ou autor de dicas tech convencendo você a usar o navegador Opera com suas trocentas funcionalidades (incluindo a I.A), fuja e evite usá-lo, pois qualquer pessoa com bom senso JAMAIS usa um navegador de origem chinesa [e provas é o que não faltam aqui neste artigo].


Maxthon: navegador chinês rouba dados do usuário e envia-os à China

Em uma pesquisa da Fidelis Cybersecurity e Exaltel, ambas da Polônia, teriam descoberto que o navegador Maxthon coleta informações sensíveis e as envia para um servidor na China. O que acontecia, é que o navegador enviava um arquivo chamado ueipdata.zip para um servidor chinês em Pequim (capital) por meio do protocolo HTTP. Análises complementares revelaram que o arquivo ZIP continha um arquivo de texto criptografado chamado dat.txt e esse arquivo armazenava informações sobre o sistema operacional, CPU, status de adblock (bloqueador de anúncio), URL da página inicial do navegador, sites visitados pelo usuário (isso incluí buscas em sites como o Google), aplicativos instalados e versões de cada um deles - isso é, o navegador coletava todos os hábitos do usuários, mesmo que você não quisesse participar do programa de melhoria e experiência do usuário da Maxthon.

O arquivo ueipdata.zip é criado e enviado para os servidores Maxthon como parte do Programa de Melhoria da Experiência do Usuário (UEIP) da empresa. O papel do programa é ajudar o desenvolvedor a entender as necessidades de seus usuários e entregar produtos e serviços melhores. O fornecedor afirma que o programa é voluntário e "totalmente anônimo", embora tudo isso seja uma afirmação falsa, conforme abordarei em mais detalhes.

Embora dat.txt estivesse criptografado, especialistas encontraram facilmente a chave necessária para descriptografá-lo, dando-lhes acesso às informações. Para se ter ideia de quão falho era a segurança, os pesquisadores da Exaltel fizeram uma demonstração de ataque MitM (man-in-the-middle) e observaram que era perfeitamente possível interceptar os dados durante a viagem (ou a transferência) de cliente-servidor para a china.

Apesar disso, como os especialistas descobriram, os dados estavam sendo coletados mesmo que os usuários optem por não participar do UEIP. Eles estão preocupados que as informações sobre hábitos de navegação e os aplicativos instalados possam ser altamente valiosas para um agente malicioso que deseja realizar um dirigido ataque mal-intencionado.


Leica pode ser vendida a uma empresa chinesa

A Leica, empresa alemã renomada em soluções e produtos fotográficos pode ser comprada por uma empresa chinesa, a HongShan Capital Group (HSG) e em breve, a aquisição da empresa pode se tornar realidade. Esse tópico ainda está em desenvolvimento e vai ser atualizado assim que houver mais informações, mesmo que o artigo já esteja disponível para leitura ao público.


DeepSeek - a ferramenta de Inteligência Artificial chinesa que ganhou destaque mundial

No fim de 2024 para o início de 2025, apareceu uma nova I.A que segundos as manchetes jornalísticas, "derrubaria" todas as I.As existentes, que é a DeepSeek, desenvolvida na China pelo Liang Wenfeng. Apesar desse sucesso todo, nem tudo é um mar de rosas em relação a privacidade de dados e ao uso dessa aplicação, na qual ela está no centro de debates sobre segurança nacional e proteção de dados.


DeepSeek coleta mais dados do que o TikTok

Sim, você não leu o título errado - e é embasada a partir de um artigo publicado pela Mashable em Janeiro de 2025, onde a pesquisa mostra que a política de privacidade da DeepSeek coleta dados de um modo absurdamente irreal, como não apenas "entradas de texto ou áudio, prompt, arquivos carregados, feedback, histórico de bate-papo ou outro conteúdo que [o usuário] fornece ao nosso modelo e Serviços", mas também coleta informações do seu dispositivo (aplicativo), incluindo modelo do dispositivo, sistema operacional, padrões ou ritmos de pressionamento de tecla (atividade típica de um keylogger), endereço IP e idioma do sistema. Essas informações coletadas são armazenadas em servidores seguros localizados na República Popular da China (RPC).

Ainda na seção da sua política de privacidade, a ferramenta além de compartilhar dados do usuário, como falei a pouco, a empresa afirma que pode compartilhar informações do usuário para "cumprir a lei aplicável, processo legal ou solicitações governamentais" - no caso, o regime comunista da China.

Perceba que essa política de privacidade, embora seja padrão de todas as I.As existentes no mundo, o que chama a atenção é do fato da ferramenta coletar o que o usuário digita no smartphone, que é um absurdo e, todavia, essa prática é conhecida na área de segurança digital como keylogger. Sem contar que os dados do usuário são enviados direto para servidores localizados na China.

Ainda no artigo e dando continuidade em relação aos dados pessoais, a política informa ainda que os dados do usuário são armazenados "pelo tempo necessário" para fornecer nossos Serviços e para os outros fins estabelecidos [na sua política de privacidade]. Embora a Meta também armazene os dados por tempo indeterminado, e por ser muito desconfortável, quando se trata de países como a China que tem leis típicas de censura, uma bandeira vermelha de segurança cibernética é erguida referente a essa questão por causa da autoridade governamental da China sobre seu setor privado, onde o período de retenção indefinido expõe os dados do usuário a ainda mais riscos de violações de segurança.

Além do mais de o fato de não sabermos como que ocorre a segurança dos servidores que armazenam esses dados, muito menos de como são criptografados ou transmitidos e ainda mais de não saber se há um diretriz ou política interna que evita o acesso não autorizado dos dados armazenados do DeepSeek. E como em todas as ferramentas de Inteligência Artificial, você pode autorizar ou não se seus dados podem ser compartilhados para serem usados em modelos para treinamento, contudo, essa aplicação não específica se é ou não compartilhado - como é dito no final do artigo: "[...] tudo o que você compartilha com o chatbot, você compartilha com a internet – e talvez com o governo chinês neste caso".

E como todo e qualquer software que represente risco de segurança seja um sinal de alerta ao território de um país desenvolvido, medidas são tomadas e com o DeepSeek não foi diferente, e em poucos dias, várias empresas pediram o bloqueio e restrição do uso do DeepSeek por questões de segurança e também sobre o armazenamento de dados sensíveis do usuário.

Uma pesquisa similar feita por pesquisadores da DigForCE Lab detalha descobertas alarmantes sobre coleta de dados, vulnerabilidades de segurança e implicações para a privacidade dos usuários, iguais ao da pesquisa da Mashable.


Associação entre DeepSeek e a China Mobile

De acordo com pesquisadores da Feroot Security, em uma descoberta no código-fonte da ferramenta do site, ela contém um script fortemente ofuscado que, quando decifrado, revela conexões com a infraestrutura de computação da China Mobile, uma empresa estatal de telecomunicações que está proibida de operar nos EUA.

Embora não tenham observado dados sendo transferidos para a China Mobile durante os testes de login na América do Norte, os pesquisadores não descartam que isso ocorra com alguns usuários.


Países proíbem o uso do DeepSeek

No dia 4 de Fevereiro de 2025, o governo da Austrália proibiu o uso da DeepSeek em órgãos governamentaisA medida foi tomada por alegarem que a I.A chinesa caracteriza um "risco inaceitável" à segurança nacional. Neste sentido, outras instituições governamentais de diferentes países também restringiram a instalação e uso desse tipo de tecnologia, como Taiwan, Itália e até Marinha dos EUA.

No caso da Itália, a agência do país destacou que a empresa utilizou dados de usuários para treinar suas inteligências artificiais e apontou a ausência de uma base legal definida, o que violou os fundamentos de transparência e obrigações informativas.

Ainda mais além, os EUA estão cogitando em proibir qualquer ferramenta de I.A. chinesa para uso em território americano. De acordo com fontes ouvidas pelo site Axios, há boatos de que as movimentações do ano passado visavam uma proibição direta, porém, a ofensiva visa em focar em uma narrativa de que os modelos chineses não são seguros [e na realidade, eles jamais serão seguros].


DeepSeek e a sua colaboração de espionagem com o governo chinês

De acordo com informações da Reuters, com um entrevistado que integra o Departamento de Estado dos EUA, os responsáveis pela I.A forneceram apoio ao serviço de inteligência e às forças militares chinesas, o que possivelmente continua a acontecer. A desenvolvedora estaria compartilhando informações e estatísticas de usuários.

Autoridades americanas já desconfiavam da prática após analisarem as políticas de privacidade da plataforma, que citavam o compartilhamento de dados com a empresa China Mobile, como citado nos tópicos anteriores. O relatório também detalha que a startup foi mencionada mais de 150 vezes em registros de compras para o Exército de Libertação Popular da China e outras instituições ligadas à área de defesa do país.

Ainda conforme o funcionário, a DeepSeek usou empresas de fachada do Sudeste Asiático para driblar os controles de exportação americanos e essa estratégia permitiu acessar os chips H100 da Nvidia remotamente, cujo uso por empresas chinesas é proibido desde 2022. Apesar das descobertas, a fonte afirmou que a Casa Branca não pensa em impor sanções contra a plataforma de I.A chinesa, neste momento.

No final de 2025, políticos dos EUA solicitaram (e assinada por Trump) ao Pentágono que incluíssem a DeepSeek e a Xiaomi na lista de empresas que apoiam o exército chinês, na qual deviam ser 'boicotadas' do território americano, visando a não depender de qualquer periférico de origem chinesa até 2030.

Até a Microsoft alertou sobre o avanço dessa ferramenta chinesa de I.A, onde ela alega em sua pesquisa que a adoção do DeepSeek tem sido mais acelerada em países que investiram em infraestrutura digital, capacitação em Inteligência Artificial e uso por parte do governo, com destaque para Emirados Árabes Unidos, Singapura, Noruega, Irlanda, França e Espanha – todos com uma difusão superior a 40% entre a população adulta e no Brasil, o percentual não chega a 20%. Ainda segundo a pesquisa, há um notável crescimento da popularidade do DeepSeek em toda a África, onde é impulsionada por promoções estratégicas e parcerias com empresas como a Huawei, conclui a pesquisa.


Roteadores chineses: o 'queijo-suíço' para espionagem do governo chinês

Infelizmente aqui no Brasil, inúmeros provedores de Internet teimam em usar roteadores de origem chinesa (como a Huawei, Xiaomi, ZTE, TP-Link, etc.) na instalação e contratação de Internet fibra ótica para o cliente, achando que eles são produtos de "última geração" e embora sejam de fato, há algo que poucos sabem e que é nocivo a quem se preocupa com privacidade e segurança, que é justamente as vulnerabilidades (propositalmente adicionado pelas fabricantes) nestes roteadores para que os hackers, esses com patrocínio do governo comunista, aproveitam tais vulnerabilidades e dali eles podem interceptar e roubar os dados do usuário, atacar a infraestrutura de redes (da casa ou de uma empresa) ou até infectar o usuário da rede com algum malware desconhecido.

Perceba que nessa pilantragem toda, as próprias fabricantes (ou as gigantes de telecomunicações da China) fazem isso de propósito para permitir que o governo chinês, por meio do regime comunista, continue a realizar o monitoramento dos usuários e principalmente empresas, mesmo que estejam fora do país, cujo exportam seus produtos e soluções para serem comercializados internacionalmente, elas precisam cooperar com o governo para continuar com sua espionagem por regra do regime comunista da China - e as empresas de T.I não podem recusar um único acesso de dados, caso o governo obrigue-as. Não por mera coincidência, mas em Janeiro de 2024, o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) interrompeu um ataque em redes de infraestrutura crítica dos EUA, acompanhado de um forte empenho de hackers patrocinados pelo governo chinês, usando um malware que sequestrava "centenas" de roteadores residenciais [a maioria deles eram de origem chinesa] e de pequenas empresas. Esta operação autorizada pelo tribunal lançada no mês passado, autoridades dos EUA afirmam que conseguiram desmontar o botnet removendo o malware dentro dos roteadores vítimas baseados nos EUA e também tomaram medidas adicionais para evitar que os roteadores fossem reinfectados.

As controvérsias em relação as redes de telecomunicações chinesas não são antigas. Um exemplo aconteceu no final de 2020, onde na sede da União Africana (UA), sediada na Adis Abeba, capital da Etiópia, de acordo com pesquisadores japoneses em cibersegurança, os funcionários de tecnologia da União Africana descobriram que um grupo de supostos hackers chineses conhecidos como "Presidente de Bronze" haviam armado um conjunto de servidores no porão de um anexo administrativo para discretamente extrair vídeos de vigilância de todo o extenso campus da UA e as câmeras afetadas cobriam escritórios da AU, áreas de estacionamento, corredores e salas de reunião. Em Julho de 2022, uma investigação feita pelo FBI, descobriu que equipamentos chineses da Huawei podem interromper as comunicações do arsenal nuclear dos EUA, sendo que boa parte dos equipamentos estavam instalados em pontos estratégicos, especialmente em zonas militares e um fato muito interessante é que a China domina o controle de 60% do mercado americano de roteadores domésticos.

Em 25 de Novembro de 2022, o governo americano com Biden como presidente, proibiu as aprovações de novos equipamentos de telecomunicações das empresas chinesas Huawei Technologies e ZTE (estas famosas no Brasil) por representarem "um risco inaceitável" para a segurança nacional dos EUA.

Em Março de 2025, o governo americano pediu aos cidadãos americanos que deixassem de usar roteadores da China, em especial, a TP-Link (que é chinesa, mas nem todos sabem) que domina no mercado americano de roteadores. A empresa ficou indignada e respondeu ao governo dos EUA dizendo que não tem ligação com a China, alegando que se separou da sua divisão internacional e que a fabricação de seus aparelhos acontece no Vietnã.

E mais recentemente, no dia 23 de Março de 2026, a FCC proibiu a importação de novos modelos de roteadores fabricados no exterior sob o argumento de que esses aparelhos levantam preocupações com a segurança, sendo o principal alvo da medida que é a China. Na Europa, a mesma medida está sendo adotada pela União Europeia, removendo todo e qualquer equipamento eletrônico chinês, entre eles está a Huawei, em setores classificados como críticos - e isso pode se concretizar, pois a UE irá por definitivo eliminar toda e qualquer tecnologia ou periférico chinês em todo o seu continente, sendo que toda essa operação, de acordo com alguns estudos, vai custar mais de US$ 400 bilhões e no lado da Huawei pode ficar em torno 40 milhões de euros, ao mesmo tempo que ela também recomendou o banimento da Huawei e ZTE da área de telecomunicações aos estados-membros do continente - e mais recentemente, o governo americano entrou na mira mais uma vez contra os produtos e equipamentos chineses da Huawei, ZTE, Hikvision, Dahua e Hytera por risco à segurança nacional. Até mesmo, em Portugal, o governo ordenou a substituição imediata dos produtos da Huawei pela operadora de Internet Meo em 2023, e recentemente, pediu mais tempo para adiar a substituição equipamentos da empresa chinesa.

Por essa séria preocupação que nem todos os usuários tem ciência sobre o assunto ser bastante grave, mas se você quer levar (ou se preocupa) sua privacidade a sério, eu sugiro a substituição do seu roteador chinês por outra que seja mais confiável de empresas idôneas como da Intelbras, ASUS, etc., e caso contrário, ao menos instale uma VPN em seus dispositivos eletrônicos como tablet, PC, notebook, smartphone, entre outros, pois assim fica impossibilitado do governo chinês interceptar seus para sabe-se lá o que como irá ser tratado os seus dados, principalmente partes sensíveis. A troca do dispositivo independe dos termos ou cláusula da provedora de Internet, pois você tem esse direito de realizar a troca - isso sem entrar em contato a provedora! Se você acha isso muito excessivo demais para quem valoriza a segurança online, o próprio governo americano através do congresso e a FCC, financia o programa Rip-and-Replace, na qual o governo remove qualquer equipamento de telecomunicação chinesa, em especial aos roteadores, com as operadoras rurais dos EUA.


Parceria entre o Brasil e China na "inovação tecnológica" do país e a soberania digital

Para o tópico não ficar muito extenso, assim como este artigo inteiro, optei por criar uma linha cronológica da parceria tecnológica do Brasil com a China e detalharei alguns pontos. São eles: 

1988neste ano, teve com a criação do programa CBERS (Projeto Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), que se destinava a atividades aeroespaciais e inicialmente, a parceria foi bem-sucedida. 

1998: na área de telecomunicações, a Huawei entra em território brasileiro a todo o vapor e rapidamente se consolida no mercado de Redes e Telecomunicações (isso depois da privatização da Telebras). Assim sendo, ela domina quase todo o território brasileiro (cerca de 95%) com o fornecimento de equipamentos de redes e infraestruturas críticas, sendo que no nicho doméstico, ela é predominante em vários lares brasileiros por meio de seus roteadores que são distribuídos por empresas de Internet - além da instalação de equipamentos de telefonia móvel que distribuí a tecnologia 5G em todos os lugares.

2009: a parceria do nosso país com a China se intensificou neste ano e esse reforço deu direito a uma expansão da importação de nossos principais produtos como a soja, petróleo, minério e a carne bovina, em troca de outros produtos vindos da China, placas solares, fertilizantes e minerais químicos.

2010 a 2014: esse período marca a expansão das plataformas de e-commerce digital, sendo um exemplo claro que é a AliExpress, que é gerida pela gigante chinesa Alibaba - tendo início em 2010 (mesmo ano de sua fundação).

2018: a 99, aplicativo de transporte concorrente da Uber, foi comprada pela empresa chinesa DiDi Chuxing em Janeiro daquele ano, em torno de US$ 1 bilhão. Antes da compra, o aplicativo que era de origem brasileira (fundada em São Paulo). Poucos sabem, mas a empresa chinesa (a então dona atual da 99) que curiosamente tem o mesmo nome do aplicativo é bastante popular na China e polemizada em seu país de origem por coleta de dados, como ocorreu em 2021, onde o CAC (Adminstração de Ciberespaço da China) ordenou a remoção de seus aplicativos em todas as lojas de aplicativos, cujo acusava-a de coleta de dados e uso de informações pessoais de usuários por parte da DiDi. Esses dados, de acordo com os censores, eram enviados a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) e os relatos de usuários afirmando que não sabiam de tal coleta e os descreveram como um "cão de passeio dos EUA".

2023-2026 (atualmente): desde então, essa parceria do Brasil com a China só avança a cada dia que passa e desde 2023, o governo brasileiro presidido pelo presidente Lula (PT) "abriu a porteira" para muitas empresas chinesas, entre elas a Huawei e a BYD (que por ela, daria início a vinda de várias marcas de carros elétricos chineses) para realizar o intercâmbio tecnológico entre os dois países.

De lá pra cá, a parceria do país asiático com o governo de esquerda do Brasil tem se mostrado forte, a ponto dos dois quererem fortalecer a infraestrutura digital em nosso país, em busca de expandir em áreas como Inteligência Artificial e Internet das Coisas (IoT). A proposta busca apoio a iniciativas de cidades inteligentes e no desenvolvimento da infraestrutura digital.

Já com relação à fabricação de itens de informática, telefonia móvel e infraestruturas rígidas, muitas empresas de T.I chinesas veem o Brasil como uma oportunidade "digna" de expandir seus projetos. Mas se tratando sobre tecnologia, o objetivo da cooperação Brasil-China se foca exclusivamente em uma "Soberania Digital", ou seja, a aliança tecnológica com a China abre espaço ao nosso país ser destaque na qualidade em inovações tecnológicas e apostar (ou crescer) na economia em âmbito nacional - isso sem depender de outros países, como os EUA [como o país asiático pratica atualmente]. Um detalhe é que se uma empresa chinesa quer criar opções fáceis aos usuários brasileiros, ou seja, alternativa aos produtos consolidados como os smartphones, que temos a Samsung, Apple e Motorola como as principais marcas no ramo, geralmente ela instala sua fábrica na Zona Franca de Manaus, que é a capital do Amazonas para iniciar a produção de seus produtos de valor mais acessível com parâmetro de tecnologia igualada aos seus concorrentes de 'peso'. Em outras ocasiões, como software por exemplo, eles se concentram na cidade e estado de São Paulo para abrir seu portifólio de soluções e investi-la-ás em solo brasileiro, sendo o exemplo clássico disso que é o TikTok, Kwai e outras empresas de tecnologia conhecidas. Isso incluí também outros estados, como no Ceará onde está sendo construído o data center da ByteDance para o seu aplicativo famoso, o TikTok, com o investimento de mais de R$ 200 bilhões e com energia sustentável, proveniente de energia eólica.

Os investimentos dessa cooperação acontecem praticamente o tempo todo e como já citei a pouco, o seu momento mais viável de investimento de empresas chinesas no Brasil se destacaram com a volta do ex-presidiário e vigarista, chamado Lula (ou talvez, aclamado pela população de classe baixa de "pai dos pobres") em 2023. Mas uma coisa chama a atenção: qual país do nosso globo tem uma parceria tão centralizada e estratégica com a China, que é amplamente conhecida por impor regime de censura aos cidadãos e suas leis rígidas a quem os desobedece? Somente o Brasil - e não é à toa que até mesmo um ministro do STF apoia o regime chinês, provando que o judiciário brasileiro é uma vergonha e favorável a censura e ao autoritarismo típico de uma ditadura.

Em 2025 por exemplo, a China passou a investir em inacreditáveis 27 bilhões de reais em nosso país para expandir o negócio de empresas chinesas em território brasileiro, sendo as áreas: delivery, carro elétrico, energia renovável, combustível sustentável, bebidas, semicondutores e insumos farmacêuticos. Tempos mais tarde, a vice-ministra de Ciência e Tecnologia da China, Lin Xin, veio ao Brasil assinar o memorando para o estabelecimento do Centro de Transferência de Tecnologia que foca no fortalecimento da agricultura familiar do Brasil.

Se isso não fosse o necessário para ficar espantado, no começo de Junho, a China reafirmou firmemente seu apoio com o Brasil, chamando-a de "amiga confiável" e afirmou que está pronta para expandir o apoio em país da América Latina e no Caribe - tudo isso, em meio as pressões comerciais dos EUA contra o Brasil, ao mesmo tempo que a China defende a "soberania" do Brasil contra as tarifas impostas pelos EUA.

Nem mesmo os governos estaduais escapam dessas parcerias, como na Paraíba, em que em Novembro de 2025, o governo estadual assinou uma parceria com uma empresa chinesa chamada CETC (abreviação de China Electronics Technology Group) com apoio do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação). Depois de visitas do governador paraibano (João Azevêdo - PSB) em 2023 para buscar novas tecnologias e parcerias, sendo elas a criação do radiotelescópio Bingo e a criação de um laboratório de inovação do Sistema Beidou visando na capacidade industrial da Paraíba (em posição tecnológica), além de navegação e comunicação via-satélite - tudo isso para "abrir novas perspectivas econômicas e para a juventude paraibana". Recentemente, um pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) reafirmou que o telescópio Bingo não atende como finalidade aos interesses do governo chinês e diz não ver muito sentido nessa "paranoia americana", segundo ele.

Mas como nem tudo é novidade, a CETC acumula alguns fatos muito "intrigantes", como em 2016, onde a empresa se tornou encarregada da lei de Cibersegurança por meio de acordo com o governo comunista chinês, além dela estar envolvida no incidente do balão em 2023 (juntamente de outras empresas de tecnologia e aviação), onde um balão chinês sobrevoou sobre o estado americano de Alaska e região oeste do Canadá e os EUA acusou a China de espionagem, mas o país respondeu que o balão tinha como finalidade analisar "atividades meteorológicas".

Em Maio deste ano, a apresentadora da TV Globo, Eliana, participou de um evento de oficialização da marca Haier, que chegou recentemente ao nosso país, onde seu portifólio incluí televisores, lavadoras e aparelhos de climatização - considerados "premium". Poucos sabem, mas além de ser uma empresa chinesa e ter inúmeras subsidiárias como a ThundeRobot (que fabrica smartphones, computadores e televisores), ela já foi acusada pela mídia alemã em 2014 de inserir um malware pré-instalado em seus aparelhos celulares. Nada mais confiável que usar um smartphone e demais aparelhos da Haier que permite um malware roubar seus dados críticos, né?!

Dentro da economia brasileira, em Junho, a China afirmou ter interesse em cooperar dentro dos sistemas de pagamento brasileiro e o Pix está na mira dos chineses [agora resta saber se o governo brasileiro e a elite chinesa vão aplicar alguma medida de vigilância sobre as transações financeiras feitas pela população no Brasil, algo que não duvido que aconteça em algum momento] e agora, em Agosto, o Banco Central fechou um acordo com a plataforma de pagamentos chinesas, a UnionPay, onde integrará o pagamento em Pix aos turistas e visitantes chineses em território brasileiro, ou seja, a China não irá controlar diretamente o Pix, mas usará a infraestrutura para permitir que visitantes chineses façam o pagamento (feito em reais) através do código QR, sem necessidade de usar cartão internacional ou troca do dinheiro em espécie. 

Além dessa nova vantagem curiosa na forma de pagamento, o Brasil começou recentemente a fazer emissões de suas dívidas em Yuan (moeda chinesa), com o objetivo de não ficar dependente do dólar, já que o nosso país já possuí dívidas externa, a maioria em dólares. Essa tomada de decisão levou até mesmo uma empresa chinesa em operações financeiras a entrar com todo o vigor no Brasil, com o objetivo de conectar PMEs (Pequenas e Médias Empresas), Pix e o comércio exterior com a China, transformando-a como uma ponte entre os dois país que se "complementam".

Na área de Inteligência Artificial, o governo brasileiro se aliou ao WAICO (Organização Internacional para Cooperação em Inteligência Artificial), onde todos os países nessa iniciativa são autoritários, sendo além da China, a Rússia, Cazaquistão, Laos, Nicaragua, Myanmar, etc., com o objetivo de defender uma governança baseada em "cooperação internacional, abertura e benefícios compartilhados", segundo Li Quang, primeiro-ministro chinês. Ele afirma também que a I.A. "não deve se tornar um jogo exclusivo de poucos países e empresas" [no caso, os EUA].

No dia 24 de Junho, a Positivo Tecnologia em uma parceria com a chinesa Tencent estão desenvolvendo um novo sistema de pagamento biométrico feito através da palma da mão batizada de PalmAI, onde essa nova tecnologia fica responsável pela leitura da mão analisando a textura, cor e padrões vasculares através de um dispositivo dedicado. O algoritmo incorporado a essa nova tecnologia é capaz de criar uma identificação única do consumidor em milissegundos, sendo impossível de ser burlada, além do fato de "nada ser armazenado" durante o escaneamento da mão e seguir rigorosamente a LGPD, segundo o vice-presidente da Positivo, Norberto Maraschin Filho. A expectativa é que esse novo meio de pagamento já esteja em todas as lojas a partir do mês de Dezembro. 

OPINIÃO: podemos concluir que a Tencent possa enviar dados de várias imagens de mãos de consumidores para o governo chinês mesmo que ela negue em todos os sentidos, pois até então, a lei de Inteligência deve ser cumprida para todas as empresas chinesas de tecnologia, mesmo que estejam fora da China. Como um Cristão fiel, ainda que essa nova forma de pagamento seja interpretada como a "marca da besta" (Apocalipse 13. 16-18) que em teoria faz sentido, isso ainda pode ser considerado apenas a ponta do iceberg de como de fato será - e só Deus sabe como será a verdadeira marca da besta num futuro não tão distante 🫤


Na infraestrutura rodoviária, os radares embarcados com Inteligência Artificial estão sendo usados massivamente para a aplicação de multas aos motoristas (até aí nenhuma novidade, pois isso é sinônimo de roubo aqui no país). Em São Paulo, os radares com I.A. da marca chinesa Dahua (a mesma que foi banida na Índia, explicada no tópico de câmeras de segurança) estão começando a multar os motoristas que trafeguem no Rodoanel, sobre a região metropolitana da cidade de São Paulo. A SPMar que é a concessionária que rege a rodovia que liga a capital paulista, diz ao portal Quatro Rodas que as câmeras são equipadas também com infravermelho e que eles coletam dados 24 horas por dia, detectando e classificando automaticamente a imagem do motorista infrator e enviando o arquivo para um sistema compartilhado com a PMRV (Polícia Militar rodoviária). Essa "novidade" fez com que a I.A. embarcada nos radares registrassem 1 mil infrações de trânsito em 72 horas também em SP. O moral de tudo isso é que além das multas serem enviadas para a polícia, as imagens das infrações podem estar sendo enviadas para a China, pois como você leu exaustivamente neste artigo, todas as empresas de tecnologia chinesas que estejam fora do país devem enviar todos os dados para o governo chinês - e não duvido que as imagens das infrações cometidas pelos motoristas em SP ou outras regiões já estejam sendo enviadas para a China, ou melhor, o governo comunista chinês.

Tudo o que escrevi a pouco vale também para a segurança pública no Brasil, onde a maioria dos equipamentos de segurança da marca Hikvision são usadas em São Paulo e Rio de Janeiro para incrementar a segurança pública em vias de circulação pública, embora isso não seja infalível e tampouco eficaz

Como pôde ver nesse extenso tópico, embora tudo isso não seja tão preocupante em relação a parceria tecnológica entre os dois país, a inserção da tecnologia chinesa ao nosso redor cria-se uma ruína em nossa privacidade dos nossos dados pessoais, onde elas suprem as necessidades de vários internautas brasileiros e ao próprio governo brasileiro, que teve recentemente uma parceria com a China, conforme abordarei no próximo tópico.


Empresa chinesa fecha parceria com o governo brasileiro e insere sua tecnologia em órgãos públicos para operações estatais

Em 10 de Abril de 2026, o governo do Brasil por meio do ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Senpro e a empresa chinesa iFlytek assinaram um acordo de cooperação em Inteligência Artificial para o desenvolvimento de capacidades nacionais associadas ao funcionamento do Estado, com previsão de transferência de tecnologia.

A assinatura deste acordo dá sequência à cooperação tecnológica entre Brasil e China e busca inserir a Inteligência Artificial no conjunto de infraestruturas críticas necessárias à operação estatal. Segundo o ministro da MCTI, Luis Fernandes, a iniciativa busca desenvolver tecnologias em conjunto e garantir a transferência de conhecimento para o Brasil, com impacto direto na soberania digital. Ainda segundo ele, o Serpro tem um papel central nesse processo, por ser o operador da infraestrutura nacional de dados públicos e reunir sistemas que sustentam serviços essenciais do Estado, onde essa I.A será aplicada para "melhorar a prestação de serviços à população".

Para o Serpro, a iniciativa "insere a Inteligência Artificial no conjunto de infraestruturas críticas necessárias à operação estatal". O acordo estabelece diretrizes para cooperação em pesquisa, desenvolvimento e formação de capacidades em Inteligência Artificial, com foco em modelos de linguagem adaptados ao português brasileiro, sistemas de tradução e acessibilidade, aplicações em cibersegurança (!!) e soluções voltadas à infraestrutura de I.A no país. O protocolo também prevê o desenvolvimento de infraestrutura nacional de Inteligência Artificial, incluindo data centers, nuvem segura e plataformas de dados interoperáveis, com possibilidade de integração e escalabilidade sobre as estruturas já existentes, além de programas estruturados de capacitação, como intercâmbio de pesquisadores, cursos, visitas técnicas e bolsas de estudo, com o objetivo de formar especialistas e ampliar a capacidade técnica nacional na área.

Nesse contexto, a capacidade de operar a tecnologia passa a ser central para a estratégia. "Não se trata apenas de utilizar modelos prontos, mas de dominar todo o ciclo de desenvolvimento, da curadoria de dados ao treinamento, avaliação e operação em ambiente de produção. É isso que garante que a inteligência artificial esteja, de fato, a serviço do Estado", explicou Carlos Rodrigo Lima, responsável pelo Centro de Excelência em Ciência de Dados e Inteligência Artificial do Serpro.

Como pode ver, a parceria do governo com uma empresa chinesa de tecnologia é uma das piores decisões para a privacidade - e os motivos desse acordo ser como um 'tiro no pé' não vem da minha imaginação, mas sim em fatos envolvendo a iFlytek. A começar que ela é uma empresa chinesa fundada em 1999 e tem a China Mobile (empresa estatal) como sua maior acionista, que também tem algumas controvérsias, das quais eu abordarei ao longo do próximo tópico dedicado ao assunto.


iFlytek e sua lista suja por violação de direitos humanos e vigilância

Iniciando com a iFlyek, cuja fez parceria com o governo brasileiro como abordei acima, tem uma série de polêmicas, a começar pelo fato dela ser conhecida por criar inúmeros assistentes inteligentes (analogicamente comparado ao Siri da Apple ou a Alexa da Amazon) que são muito usados na China, mas que ela é acusada de permitir o monitoramento e vigilância de seus usuários por meio de suas ferramentas, sendo acusada inclusive de violação por direitos humanos, além de ser premiada descaradamente pela CES em 2019

Antes disso inclusive, em 2017, as autoridades chinesas criaram uma espécie de "biometria de voz" através de amostras de voz coletadas em larga escala para ajudar em investigações criminais, além de usar esses dados para a identificação de suspeitos. De acordo com o HRW (Human Rights Watch) a qual denunciou esse abuso do governo no mesmo artigo, a iFlytek estava entre as principais colaboradoras nesse processo de desenvolvimento do sistema piloto de vigilância que possa identificar automaticamente vozes-alvo em conversas telefônicas. A HRW também alerta que esse tipo de coleta pode ser usado para monitoramento em massa, sem nenhuma garantia ou consentimento dos cidadãos - além de não haver qualquer transparência sobre como os dados são tratados, usados ou compartilhados, aumentando o risco de abuso estatal pelo governo chinês.


China Mobile e controvérsias as telecomunicações e apoio a censura junto ao regime comunista

Agora abordando sobre a China Mobile, empresa de tecnologia estatal fundada em 1997 e que é a maior acionista da iFlytek, ela também não escapa de suas controvérsias, algumas delas graves, as quais irei abordar abaixo.

Começando em Outubro de 2019, onde o Departamento de Comércio dos EUA sancionou 8 empresas chinesas de I.A e videovigilância, estando na lista: HikVision, SenseTime, Megvii (apoiada pela Alibaba), Dahua, iFlytek (apoiada pela China Mobile), Xiamen e a Yixin, com o principal objetivo de restringir o acesso deles a tecnologia americana. Além deles, 28 órgãos de segurança pública do país asiático foram considerados envolvidos em violações de direitos humanos contra os uigures (grupo turco-muçulmano), cazaques e outras minorias muçulmanas na região de Xijiang, onde o departamento americano acusa-os de vigilância de alta tecnologia, detenções arbitrárias em massa (sem motivo algum) e repressão estatal aos interesses do regime comunista. O resultado das sanções é que estas empresas não podem comprar qualquer componente de empresas sediadas nos EUA sem aprovação do governo, afetando diretamente as empresas de hardware como a Intel, AMD, NVIDIA, Western Digital, Seagate, entre outras - e alguns especialistas à época afirmaram que o impacto dessas sanções seria arrasador em um sentido negativo, e a reação de algumas das empresas listadas foi de total preocupação com críticas as sanções.

Em Junho de 2024, o governo Biden investigou três empresas de telecomunicações chinesas, que são a China MobileChina Telecom e China Unicom, onde o foco da investigação esta relacionada aos riscos de acesso indevido a dados de usuários americanos por meio de serviços de nuvem e roteamento de Internet em território americano, pois segundo as autoridades locais, elas temem que as empresas de telecomunicações possam fornecer dados sensíveis ao governo da China. Anterior as restrições, a FCC já havia negado a licença de operação à China Mobile em 2019, cassado as licenças de operação da China Telecom em 2021 e da China Unicom um ano depois, em 2022 - além do órgão proibir as três empresas de oferecer banda larga aos americanos em 2024.

Como o foco desse tópico é sobre a China Telecom, a empresa possuí 8 pontos de presença (PoPs), que permite que redes de grande escala se conectem entre si e compartilhem informações de roteamento. Esses pontos podiam permitir a análise de dados, inspeção profunda de pacotes e até descriptografar do tráfego de rede - e o órgão americano considera esses PoPs um risco à segurança nacional. Reguladores temem que as empresas possam acessar informações pessoais e propriedade intelectual armazenadas em suas nuvens e fornecê-las ao governo chinês ou atrapalhar o acesso dos americanos a elas e o foco especial desta investigação está centralizada especialmente a um data center da China Mobile no Vale do Silício, que fica localizado no estado da Califórnia.

Em Março de 2025, os legisladores americanos pediram detalhes as três empresas chinesas (citadas no parágrafo acima) sobre supostas ligações com o exército e o governo chinês até o dia 31 daquele mês, mas eles não responderam de imediato as perguntas feito pelos legisladores - e ainda dizem: "nada impede as telecomunicações chinesas de fornecer serviços em nuvem e de direcionar o tráfego de Internet atacado dos EUA, o que lhes dá acesso aos dados dos americanos". 

No mês seguinte, em Abril, os legisladores agiram para forçar as três empresas de telecomunicações chinesas a cooperarem com uma investigação sobre seu suposto apoio ao exército e ao governo chinês. Em um esforço bipartidário, o comitê especial da Câmara dos Representantes sobre a China usou seus poderes de intimação raramente exercidos para obrigar as três empresas chinesas a responderem perguntas sobre a exploração e o acesso a dados americanos por meio de seus negócios de nuvem e Internet nos EUA. Legisladores democratas e republicanos continuam expressando preocupação com as operações das telecomunicações chinesas nos EUA após ataques cibernéticos de alto complexidade liderados pela China, incluindo o Volt Typhoon, que o FBI disse ter permitido à China acessar infraestruturas críticas de telecomunicações, energia, água e demais infraestruturas americanas.

No dia 17 de Junho do mesmo ano, a FCC anunciou que pode multar a China Mobile por não responder às perguntas da investigação da agência para determinar se suas operações nos EUA estão tentando contornar as restrições americanas. A comissão acusou a China Mobile de má conduta e afirmou que a empresa não forneceu as informações e documentação específicas solicitadas.

"A conduta da China Mobile ao longo deste caso demonstra desrespeito pela autoridade da Comissão e ameaça comprometer a capacidade da Comissão de investigar adequadamente", afirmou a FCC. Deu à China Mobile 30 dias para responder a inúmeras perguntas ou enfrentar multas. A mesma ainda afirmou que, em 2019, a China Mobile era indiretamente de propriedade e controle do governo chinês e destacou uma possibilidade significativa de que a influência e o controle de Pequim possam resultar em "intrusões e ataques de computadores e espionagem econômica".

Como pode ver, a conduta da chinesa iFlytek a qual fez a parceria com o governo brasileiro não passará em hipótese alguma qualquer confiança no tratamento de nossos dados, dos quais já são vulneráveis desde que a T.I brasileira vive estagnada em um nível baixíssimo há tempos com inúmeros queijo-suíços criados por profissionais de T.I incompetentes ou aqueles que não tem noção avançada (e necessária) em segurança digital. Não duvido que caso o governo Lula avance em qualquer acordo com a China em operações de tecnologia aqui no país (se presumirmos a continuidade dele no poder até 2030 em uma 'reeleição idônea') - e se isso se concretizar, poderemos um dia ganhar um verdadeiro cavalo de Tróia espelhado ao da China que dá poder ao acesso de tudo o que nós fazemos no ambiente online, encerrando assim a que um dia se tornou realidade, a nossa PRIVACIDADE! E ponderamos que caso o governo de esquerda brasileiro aplique essa lei similar ao da China por meio do poder executivo para "lançar a poeira debaixo do tapete" do real motivo de ser aplicado ao nosso país, a desculpa barata que eles vão te dizer é de que a [lei de] vigilância online servirá para combater a corrupção, o crime organizado, cibercrimes e manter a segurança do cidadão brasileiro mais "seguro" - quando que toda essa utopia serve justamente para aplicar a censura no Brasil por meio de perseguições políticas, censura na mídia convencional (rádio, TV, Internet, etc.), prisões indevidas de inocentes ou ativistas que lutam pela liberdade de expressão. Tomará que isso um dia não ocorra, mas se isso acontecer, a única saída para os brasileiros buscar segurança e privacidade é basicamente fugir do país!


Presença chinesa em países da América Latina

A China sempre investiu massivamente na sua presença em países latino-americanos na área de inteligência, infraestrutura espacial, telecomunicações e operações cibernéticas, sendo que o Brasil, Argentina e a Venezuela aparecem como pontos centrais dessa expansão, causando preocupação por parte dos governos ocidentais, como os EUA que pressionou a Argentina e Chile de acabar com as instalações espaciais da China no território desses dois países, causando um incomodo por parte dos americanos. Mas como o foco aqui deste artigo é em relação à tecnologia, alguns pontos devem ser analisados:

1. A CrowdStrike afirmou em Maio de 2025 que o Brasil foi o país mais visado em ciberataques atribuídos à China, sendo que México e Argentina aparecem também como os mais afetados. A empresa ainda conclui que os grupos chineses envolvidos, que são: VIXEN PANDA, AQUATIC PANDA E LIMINAL PANDA - tem como alvos principais os órgãos do governo, telecomunicações e entidades militares como objetivo estratégico de espionagem por parte de Pequim (ou o regime comunista).

2. A China também apoiou mais de 35 projetos de Safe City em toda a América Latina, sendo que a Argentina é o país com o maior número com essas iniciativas. De acordo com um artigo da Americas Quarterly, aponta que a presença chinesa migra para os setores da tecnologia, segurança e infraestrutura crítica. No Brasil, a Huawei segue dominante na instalação de equipamentos 5G, sendo que o início (ou o piloto) foi batizado de cidade 5G. Mais estimativas apontam que mais da metade das redes de telefonia móvel 3G e 4G no Brasil usam algum equipamento da Huawei. O CFR (Council on Foreign Relations) observa que, apesar dos alertas de segurança levantados por formuladores de política nos EUA, a presença tecnológica chinesa segue forte em todas as regiões do Brasil.

3. Em Abril de 2024, a China dissolveu a Strategic Support Force e criou a Information Support Force, subordinada diretamente à Comissão Militar Central. Esta mudança foi apresentada como parte de uma reorganização para fortalecer sistemas de informação e guerra moderna, ao mesmo tempo, a Lei de Inteligência Nacional da China formaliza o dever de cidadãos cooperarem com agências de inteligência e segurança do Estado, ampliando a preocupação de governos estrangeiros com o alcance externo dessas redes.


Governo do Brasil obriga o uso do check-in para hóspedes - China tem lei similar (e não é boato!)

Em 20 de Abril de 2026, o governo brasileiro obrigou todas as hotelarias a aderirem ao check-in digital, igualmente válida aos que são feitos em voos. O check-in faz parte da Lei Geral do Turismo que pretende padronizar o registro de hóspedes em hotéis, pousadas e demais modelos de acomodação. O detalhe é que o tal check-in requer o nefasto uso da conta GOV.BR e dias depois, foi motivo de críticas onde alguns defendem que isso viola a privacidade dos cidadãos brasileiros. Dias depois, o governo brasileiro desmentiu dizendo que não irá "vigiar" os dados pessoais e gastos dos hóspedes.

Porém, a China possuí uma lei quase semelhante ao que o governo brasileiro colocou em vigor, que todavia obriga o cadastro do hóspede em hotéis e pousadas, onde essas informações de registro são enviadas por exigência do regime para as autoridades de segurança pública do país asiático, tudo isso baseado nas leis dos artigos 16, 17 e 39 - e a lei também é válida para os cidadãos das áreas do RAE, que são Hong Kong e Macau.

Outro ponto curioso é que mesmo que você reside em casa de parentes chineses ou mesmo em hotéis, o estrangeiro deve obrigatoriamente se registrar na polícia chinesa em 24 horas e aquele viajante que resistir em se registrar é denunciado as autoridades de segurança e pode sofrer com punições por não obedecer às determinações locais, como multas, detenção temporária para a verificação de identidade e até mesmo ter complicações para sair do país. 

Em Maio de 2026, a China expandiu seu sistema de vigilância aos estrangeiros dentro do território do país asiático para o monitoramento perpétuo do estrangeiro - quem se arrisca em ir a China sendo vigiado o tempo todo?


Antes de mais nada, é bom notar que eu não quero atacar o povo de nacionalidade chinesa com os fatos apresentados, tal qual tenho apreço e admiração a cultura deles, mas mostrar apenas a realidade do que acontece na China e no exterior, por meio da Lei de Inteligência Nacional imposto pelo regime sujo dos comunistas de lá. Por mais que este artigo fosse extenso, foi importante eu criá-la para sabermos do problema de segurança envolvendo aplicativos de origem chinesa (oriunda do regime comunista da China) e também refletir sobre a privacidade de nossos dados.


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